Scarlett: banda catarinense lança disco durante hiato
Por Dane Souza
Postado em 15 de maio de 2016
A indústria da música chegou a um ponto onde não se pode mais apenas confiar em gravadoras. Não temos mais a MTV Brasil (ou internacional) como qualquer base de parâmetro e a evolução da internet e dos recursos que a ela se aplicam com certeza mudaram a forma de se fazer música e de conhecer e escutar novos artistas.
É por isso que, se você não conhece a SCARLETT, pode conhecer agora.
Nicolas Fresard (voz e guitarra), Fernando Mafra (baixo) e Clifton Macnamara (bateria) formaram a banda no começo da década e chamaram a atenção do público logo no primeiro show. Constante que se repetiu nas apresentações seguintes. Com versões energéticas e praticamente exclusivas de TIM MAIA, JIMI HENDRIX, MUTANTES, SECOS & MOLHADOS, DEEP PURPLE, THE BEATLES, LED ZEPPELIN, BLACK SABBATH e até de SEAL, o grupo colocava personalidade própria nas releituras e se destacava individualmente com cada integrante no palco. Claro que, durante todo o processo, as composições autorais foram nascendo.
Com base na Costa Esmeralda de Santa Catarina, os três cabeludos gravaram uma demo de "Till The Sun Let Me Shine" para batizar as redes sociais. A faixa entrou no repertório e ficou em terceiro lugar em uma das edições do FUCCA (Festival Universitário da Canção, Cultura e Arte), que acontece anualmente em Blumenau (SC).
Enquanto criava músicas novas como "Winter", "Hey Girl", "Messing Up With The Stars" e "Will I See The Tomorrow", a SCARLETT ampliava seus contatos e nunca se prendeu às fronteiras do Estado para interagir com a cena rockeira e psicodélica que borbulhava pelo Brasil afora. A banda produziu várias edições de dois festivais que se consolidaram rapidamente na região. No Green Pub da Praia dos Amores em Balneário Camboriú (SC), a ‘Pólvora’ aconteceu oito vezes e sempre trouxe, além dos shows, intervenções artísticas, circenses ou culturais. Por ela passaram as catarinenses MANGA DE COLETE, KATHARSIS, CALEDONIA FUZZ, SUPERNOVA JAM e TRIBUZANA BLUES, a paranaense PÃO DE HAMBURGUER, além das gaúchas MAR DE MARTE e XISPA DIVINA. Já com a ‘Cliffest’, que teve a maior parte das edições ocorridas no Vintage Rock Bar de Perequê, Porto Belo (SC), as parcerias foram ainda mais longe. A festa crescia cada vez que acontecia e na última até um cinema foi montado em um setor da casa próximo do palco. Na estreia do projeto, os convidados foram apenas os catarinenses da VLAD V, mas na segunda, foram seis apresentações, além de um hall exclusivo para expositores, bazar e malabares.
Mas temos que fazer uma pausa para abrir um capítulo sobre os paulistas da CENTRO DA TERRA. A amizade entre as bandas foi bem além da participação na 2ª Cliffest, que também trouxe os companheiros HELVÉTICOS, NINGUÉM SABE e THE HEADCUTTERS. As bandas intensificaram o contato, tocaram juntas no interior de São Paulo e até fizeram uma música de dupla autoria, que entrou no setlist de ambas. "Filho da Luz" foi tocada ao vivo com as duas bandas em cima do palco na quarta e na quinta edição da festa. E foi justamente a Cliffest V que tornou um ótimo festival em algo que dificilmente se consegue expressar com palavras. Além das duas baterias e do mosh durante os quase 20 minutos que teve a versão da música na data, o evento investiu na diversidade gastronômica e programou nada menos do que 12 shows em um mesmo dia, divididos em três palcos. Um deles só com as bandas parceiras da BOI (Bandas Organizadas Independentes), movimento que luta pelo som autoral e teve a SCARLETT como um dos embriões da associação.
No meio disso tudo, as composições continuavam. Alguns covers ainda eram tocados, mas sempre com aquela pegada que com certeza faria cair o queixo até do autor original da obra. Se você duvida, procure no YouTube o que eles fizeram com CASA DAS MÁQUINAS, JOELHO DE PORCO e GRAND FUNK RAILROAD. Porém, a maior parte dos shows realizados pelo trio, principalmente quando eram em eventos da BOI, trazia apenas as músicas próprias. Além disso, as letras em português caíram nas graças de quem conhecia o grupo e "Fim de Tarde", "Aleatoriedade", "Dezessete", "Nuvem" e "Passarinho" dificilmente deixavam de ser tocadas a cada noite.
A banda também participou de alguns documentários onde explica através de suas palavras tudo o que pensa sobre os mais variados assuntos. E quem os conhece sabe que a busca pela melhor qualidade sonora é primordial para começar a se pensar em registrar um trabalho. Talvez por isso o primeiro disco nem sequer foi lançado antes do trio surpreender o público com um comunicado de hiato, programado para a segunda quinzena de março deste ano.
Independente disso, algumas músicas da SCARLETT foram profissionalmente gravadas pela Café Maestro, de Itajaí e quem tem a Music Box Brazil em seu pacote de canais já pode até ter visto o trio no programa ‘Na Vera’, que traz uma hora de entrevistas e músicas ao vivo, que serviram de base para a produção do primeiro disco.
Além disso, o vocalista e guitarrista Nicolas Fresard gravou o piloto do programa ‘Na Toca’, idealizado por Giba Moojen, ex-baterista da banda NEGO JOE. O projeto é, na verdade, uma experiência sonora com a interpretação de um cover executado de forma única através de elementos e instrumentos unidos em perfeita sintonia. A versão de "Crazy" já ultrapassou a marca de 500 mil visualizações no YouTube e também chegou no canal Multishow.
Não podemos deixar de citar também o projeto MÁQUINA SECA, do baterista Clifton Macnamara e do baixista Fernando Mafra, também conhecido como Seco. Com voz, violão e bateria, a cozinha da SCARLETT traz releituras ainda mais profundas das bandas que influenciaram o trio e também serve como teste para as músicas novas, que depois ganham adaptação elétrica na fase seguinte.
Durante essa estrada, a banda abriu para O RAPPA e para a CASA DAS MÁQUINAS, além de participar de festivais como o Psicodália, Pira Rural, Grito Rock, Não Vai Ter Coca, Woodsrock e Congresso Bruxólico. O trio também compôs toda a trilha sonora instrumental do curta ‘Zero’, da Pogo Filmes. E antes de terminar o texto, outro crédito precisa ser dado. Se existe o "quinto Beatle", existe também um ‘quarto elemento’ na SCARLETT. O designer gráfico Gabriel Floss é o responsável direto pela parte gráfica que engloba desde a criação da logomarca até a arte dos cartazes de shows e eventos que o trio participa ou organiza. É ele quem assina a capa do primeiro disco, lançado virtualmente na sexta-feira 13 (de maio).
Clique aqui e confira agora:
http://www.scarlett.com.br
Track-list:
01. Nuvem
02. Winter
03. Filho da Luz
04. Hey Girl
05. Fim de Tarde
06. Till The Sun Let Me Shine
07. Will I See The Tomorrow?
08. Aleatoriedade
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