Judas Priest: Al Atkins, o vocalista original, conta alguns segredos da banda
Por Ivison Poleto dos Santos
Fonte: Metal Addicts
Postado em 02 de maio de 2019
Não são todos fãs do Judas Priest que sabem que Rob Halford não é o vocalista original. Pior ainda, quem sabia que não há nenhum membro original da banda na formação clássica? Putz, eu não. O vocalista original da banda, Al Atkins deu uma entrevista à página Music Realms onde ele conta alguns desses segredos. Leia trechos da entrevista aqui:
"A primeira formação do grupo - então chamado The Jug Blues Band -, foi formada em 1969 com o guitarrista de 18 anos John Perry, que após uns meses de ensaio se suicidou.
O baterista John Partridge, o baixista Bruno Stapenhill e eu decidimos ir em frente e dedicar a banda - o Judas Priest - a ele.
Algumas semanas após o seu funeral, nós começamos a testar guitarristas para ficar no lugar dele e apareceu um cara muito jovem chamado Kenny ‘K.K.’ Downing, mas achamos que ele ainda não estava pronto para o posto e ficamos com Ernie Chataway de Birmingham.
Ele tinha uma ótima aparência, era um guitarrista matador que mencionou ter feito uns ensaios com uma banda chamada Earth e que eles tinham mudado o nome para Black Sabbath, o que achamos um nome muito interessante e começamos a procurar um similar.
Então o Bruno sugeriu Judas Priest, que adoramos e também achamos que pegaria bem com o público."
Al foi perguntado como foi fazer a banda decolar:
"Foram tempos muito difíceis. sempre havia os pubs esquisitos para tocar, mas queríamos algo mais.
O Alan Eade da Ace Management viu que tínhamos potencial, nos colocou na sua agenda, levou-nos para um estúdio, e nos pediu para compor duas músicas mais comerciais, o que eu fiz, chamando-as ‘We’ll Stay Together’ e ‘Good Time Woman’. Elas até criaram um certo interesse nas gravadoras.
Fizemos um ensaio aberto e uma das gravadoras, a Immediate Records de Londres, assinou conosco e deu uma festa com champanhe na casa do Alan. A próximo jogada seria uma turnê pela Escócia, mas o baterista nos deixou na mão e eu acabei tocando bateria e cantando. Acabamos por despedir o batera na volta.
Daí descobrimos que a gravadora tinha falido e que o Bruno tinha uma oferta de uma banda para fazer uma turnê na Dinamarca, a qual ele aceitou. Foi o fim do Judas Priest Mark One. Curto e grosso.
Eu decidi levar a banda em frente de qualquer forma e procurei uma outra formação descobrindo uma banda chamada Freight que ensaiava na escola dominical local administrada por um vigário gordo chamado Padre Husband ou pelo apelido ‘Holy Joe’.
Um dos garotos era o guitarrista Kenny ‘K.K.’ Downing que já conhecíamos. Os outros dois eram o baterista John Ellis, e o baixista Ian ‘Skull’ Hill. Perguntei se eles precisavam de um vocalista e todos disseram que sim, sugeri então usarmos o nome da minha antiga banda, Judas Priest, e todos concordaram que era um nome muito melhor. Nascia o Judas Priest Mark Two.
No final de 1970, nós entramos em estúdio para gravar outras duas de minhas músicas ‘Mind Conception’ e ‘Holy Is the Man’ e fomos para a estrada novamente.
Conseguimos subir a escada do sucesso até rapidamente, abrindo para dezenas de bandas como Status Quo, Slade, Budgie e Thin Lizzy, só para mencionar algumas e fizemos mais de 150 shows em 1972, mas o tão sonhado contrato com uma gravadora nunca aparecia.
Eu era o único cara casado com uma filha na banda, o dinheiro sempre era muito curto e o quanto mais ganhávamos, mais gastávamos, pois não tínhamos apoio financeiro de nenhuma gravadora. Decidi deixar a banda em maio de 1973. Um dos meus últimos shows foi quando abrimos para o Budgie no St. Georges Town Hall de Liverpool".
A seminal música ‘Victim of Changes’, lançada no álbum ‘Sad Wings of Destiny’ de 1976, que você é co-autor, permanece um clássico e ainda faz parte do repertório do Judas Priest. O que aconteceu na época para você tomar uma direção assim tão teatral que se percebe na música e o que quer dizer a letra?
"Eu tive a ideia para ‘Victim of Changes‘ enquanto ouvia ‘Black Dog' do Led Zeppelin com aqueles vocais misturados a poderosos riffs de guitarra. Ela se chamava originalmente ‘Whiskey Woman’ e era sobre uma mulher alcoólatra.
Quando o Rob Halford entrou na banda, ele trouxe algumas de suas letras e músicas. Ele tinha uma música mais lenta sobe uma mulher da noite chamada ‘Red Light Lady’ que ele adicionou ao final da minha…
Daí veio o guitarrista Glenn Tipton e deu uma mudada nela adicionando a introdução e a renomeou para ‘Victim of Changes’… clássico!"
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