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Judas Priest: Turbo teria música em Top Gun, mas não teve e não vendeu bem

Por
Fonte: Classic Rock / Louder
Postado em 30 de outubro de 2019

O ex-guitarrista do Judas Priest, K.K. Downing, relembrou o controverso álbum "Turbo" (1986) em entrevista para o livro "Take It Off - Kiss Truly Unmasked", de Greg Prato. O músico destacou que a banda esperava conquistar um sucesso ainda maior com o disco, mas que o êxito em questão não veio.

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"Turbo" é visto como um dos trabalhos mais comerciais do Judas Priest, devido ao uso de sintetizadores e sonoridade mais orientada ao hard rock, que estava tão em destaque na época. A ideia era seguir padrões de nomes como Van Halen, Def Leppard e até Ozzy Osbourne, que estavam fazendo muito sucesso no período.

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O álbum não é, nem de longe, um fiasco comercial: conquistou disco de platina nos Estados Unidos e Canadá, além de ouro na Espanha. Na terra do Tio Sam, principal "alvo" daquele trabalho, chegou à 17ª posição das paradas gerais. Porém, o registro apenas repetiu o desempenho de lançamentos anteriores - e nem chegou a superar "Screaming For Vengeance" (1982), o mais vendido do Priest na América.

Downing reconhece que "Turbo" foi feito, basicamente, para chegar ao padrão de bandas mais novas. "Pensamos: nossas bandas de abertura estão tendo esses grandes sucessos. Se você faz as músicas, você tem os veículos de comunicação com rádio e TV agora. Dá para ter esses discos gigantes, só precisa juntar as músicas. Foi por isso que o Priest não fez um 'Turbo' duplo, que se chamaria 'Twin Turbos' originalmente", afirmou.

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A proposta era "condensar tudo e juntar em um álbum que tivesse boa continuidade, mas também fosse compatível com o que as rádios tocavam", segundo o guitarrista. "Tentamos uma vez e meio que falhamos, porque não aconteceu. Os produtores de 'Top Gun' (filme) queriam uma música do álbum para o filme e isso não aconteceu por culpa nossa. Em situação contrária, seria bem diferente para a banda. Tivemos uma oportunidade, apenas não rolou com o Judas Priest. Queriam a música 'Reckless'", disse.

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Mesmo fora da trilha de "Top Gun", o Judas Priest pensou que músicas como "Turbo Lover" e "Locked In" funcionariam como singles. "Mas não funcionou", relembrou o guitarrista. "A turnê foi muito bem-sucedida, o álbum foi bem-sucedido, mas não foram aquelas vendas que esperávamos", completou, atribuindo uma questão visual como fator preponderante para "Turbo" não ter emplacado. "Até Ozzy foi ao cabeleireiro", destacou.

'Turbo' e o 'timing'

Em outras entrevistas, K.K. Downing falou sobre "Turbo" como um momento crucial para justificar o motivo de o Judas Priest, no fim das contas, não ter feito tanto sucesso comercial. Ao podcast "Iron City Rocks", ele mencionou bandas de abertura que foram mais longe que o Priest em termos de números.

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"O Def Leppard é um excelente exemplo: indo de banda de abertura do Judas Priest a um disco que, nos Estados Unidos, vendeu 5 ou 6 milhões de cópias, e o seguinte vendeu 9, 10, 11 milhões. Acho que nosso maior sucesso nos Estados Unidos foi 'Screaming For Vengeance', que deve ter vendido duas ou três milhões de cópias. Mesmo o Quiet Riot teve um disco que chegou a 5 ou 6 milhões, o que é o dobro ou mais do que já conseguimos", afirmou.

Na ocasião, ele destacou que 'Turbo' teve um problema de "timing". "Acho que o 'timing' (momento) foi muito crítico. Por isso, eu digo que o Def Leppard fez esses discos de grande sucesso em 1983 e 1984, suponho, e viemos com o 'Turbo' em 1985 ou 1986. É apenas sobre o 'timing', sobre como as pessoas estão se sentindo em certo ponto da década. Mas, sim, poderia ter sido muito pior, então não reclamo. Tenho muito orgulhos das minhas conquistas e da banda, bem como grande respeito não só com meus colegas de banda, mas, obviamente, a todos os fãs", disse.

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Sobre Igor Miranda

Jornalista formado pela Universidade Federal de Uberlândia (UFU), com pós-graduação em Jornalismo Digital pela Universidade Estácio de Sá. Começou a escrever sobre música em 2007 e, algum tempo depois, foi cofundador do site Van do Halen. Colabora com o Whiplash.Net desde 2010. Atualmente, é editor-chefe da Petaxxon Comunicação, que gerencia o portal Cifras, Ei Nerd e outros. Mantém um site próprio 100% dedicado à música. Nas redes: @igormirandasite no Twitter, Instagram e Facebook.
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