Raimundos: Digão diz por que, em sua visão, as pessoas falam que ele apoia Bolsonaro
Por Igor Miranda
Postado em 02 de agosto de 2021
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Especialmente desde o início da pandemia, em 2020, o vocalista e guitarrista Digão, do Raimundos, tem compartilhado opiniões de tom político que fizeram internautas associá-lo a apoiadores do presidente Jair Bolsonaro. Em uma dessas situações, o músico chegou a se retratar por um posicionamento específico, onde comparou as medidas tomadas por governos para frear o vírus com "comunismo".
Em entrevista ao À Deriva Podcast, transcrita pelo Whiplash.Net, Digão desabafou sobre o que é chamado de "patrulha do cancelamento", onde uma pessoa é criticada e perde fãs após opinar sobre algum assunto, e negou que seja apoiador de Bolsonaro. O vocalista e guitarrista disse que muitas pessoas o enxergam dessa forma porque ele não se opôs publicamente ao presidente e não apoiou políticos de esquerda.
"Nunca apoiei Bolsonaro, velho. Nunca falei: 'ah, eu sou Bolsonaro'. Meu problema com a esquerda vem muito antes de existir Bolsonaro. Fui saber do Bolsonaro quando estava para ganhar as eleições. Meu problema vem da época do 'Lula-lá'", afirmou, conforme transcrito pelo Whiplash.Net.
Ao ser perguntado pelo apresentador sobre o motivo pelo qual as pessoas dizem que ele apoia Bolsonaro, Digão respondeu: "É porque eu não faço esse coro da galera 'ele não'. Porque a galera quer de volta a esquerda. Quer o Lula de volta. E eu não gosto, nunca gostei, sempre achei uma grande farsa. Acabou".
Na visão do frontman do Raimundos, as decisões sobre política precisam ser tomadas nas urnas. "O presidente novo ganhou? Vamos decidir na urna. Se ele for ruim, beleza, tira e coloca outro cara bom. Se o Lula ganhar, beleza, vou ficar na minha. Não vou brigar. Quero o melhor para o Brasil. Não quero f*der com meu país só para fazer meu ego. Quero que cresça, fique tudo bem, criar mais empregos e toda essa parada", declarou.
Raimundos, funk, Rambo e esquerda
Ainda em sua reflexão, Digão afirmou que as letras do Raimundos, também criticadas pelo que foi chamado de "patrulha do cancelamento", fazem parte de um contexto fantasioso, inerente ao entretenimento. Ele comparou as composições aos filmes do personagem Rambo, de Sylvester Stallone, e apontou que o funk tem feito sucesso porque, diferentemente do rock atual, não se deixa afetar pelo que é considerado politicamente correto.
"Por que o funk está tão em voga? Porque eles tão c*g*ndo e andando. O Raimundos é mirim perto do funk (risos). O Raimundos é tipo: 'entrei no trem, esporrei na manivela, cobrador filho da p*ta'. É meio que um filme do Rambo. É bom pra c***lho, adoro ver Rambo, mas eu jamais faria aquilo, jamais pegaria uma arma e sairia metralhando como ele. É entretenimento, velho. É uma coisa pra você ver e não fazer. Raimundos é assim. Aquelas m*rdas que falamos são para você não fazer. Já no funk, eles fazem aquilo mesmo", declarou.
Para Digão, existe uma pressão no meio do rock para que artistas e fãs tenham posicionamento de esquerda. "Rock and roll tem que ser espontâneo. Não tem essa de que o rock é de esquerda. O rock, o punk rock, é contra o esquema - e esquerda é sistema. Sinto muito. Se o rock é fora algo, tem que ser fora esquerda também. Aí estou contigo. Se é pra ser fora, vamos ser contra o sistema. Os filhos da p*ta estão por tudo quanto é lado. Tem que cobrar todo mundo: a p*rra do Bolsonaro, a esquerda que quer entrar aí, e f*da-se. Isso é algo que está f*dendo o rock e não é de hoje. A galera diz: 'não, porque sou de esquerda'. E isso está desunindo o rock, está enfraquecido", afirmou.
Por fim, o músico do Raimundos comentou: "O rock é pra não ter rótulo ali e você está me rotulando? Eu tenho que andar com a camisa do Che Guevara, ser isso, ser aquilo... está errado. Qual país socialista tem banda de punk rock? Não tem, velho. Os caras lá são amordaçados. É sempre querer aquilo que não existe. É uma fantasia".
O trecho da entrevista em que Digão fala sobre o assunto pode ser assistido a seguir.
A entrevista completa pode ser conferida abaixo.
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