John Paul Jones: Matéria de 1966 exalta sua carreira como músico de estúdio
Por André Garcia
Postado em 12 de março de 2022
Em 1966, anos antes da formação do Led Zeppelin, John Paul Jones já era um conceituado e requisitado músico de estúdio em Londres, mesmo com apenas 20 anos.
O canal no YouTube Yesterday’s Papers resgatou um artigo publicado pelo periódico inglês Beat Instrumental. Na edição de março de 1966, ele foi apresentado e exaltado como um prodígio e promissor instrumentista.
"John Paul Jones é um dos mais jovens músicos de estúdio", começa a publicação, "tendo completado 20 anos em janeiro. Sua habilidade musical, no entanto, é tamanha que seu futuro na indústria musical britânica está praticamente garantido."
Direção musical
"O produtor Mickey Most contratou John como diretor musical, e suas duas primeiras produções foram 'Everything I Touch Turns to Tears', de Barry St. John, e 'Land of 1000 Dances', dos The Cherokees."
"Seu grande momento chega em abril, quando ele vai aos Estados Unidos trabalhar na trilha sonora do filme dos Herman's Hermits. John se desenvolveu tremendamente nessa área em sua carreira, e parece liderar uma nova safra de diretores musicais ao lado de Mike Vickers, do Manfred Mann."
Músico de estúdio
"Mas se engana quem pensa que John deixou as sessões de estúdio de lado. Essa ainda é a base de sua rotina e ele não pretende deixar de trabalhar como baixista.
Ele também toca piano e órgão, mas é no baixo que é requisitado por grandes estrelas. E por grandes estrelas nos referimos a nomes como Shirley Bassey, Kathy Kirby, Lulu, Paul e Barry Ryan, e Dave Berry, com os quais John já tocou em algum momento. E esses são apenas alguns deles."
O começo
"John trabalhou duro para chegar onde ele está hoje, mas a música está em seu sangue, já que seu pai era pianista, arranjador e líder de banda; e sua mãe era cantora e dançarina.
Nascido em Eltham, ele se interessou por música desde muito cedo. Após aprender piano básico, ele se interessou em tocar órgão, mas descobriu que dominar um instrumento requer estudo.
Ele fez aulas em Londres aos 14 anos, e pretendia tocar na igreja local. Foi mais ou menos nessa época que ele começou a se interessar pelo baixo. 'Eu não sabia nem tocar violão quando comecei', contou Jones. 'Eu fiquei fascinado pelo trabalho do baixo. Eu costumava aumentar o grave nos meus discos para ouvir as linhas de baixo. Chegou uma hora que simplesmente comecei a tocar.'
Jones conta que conseguiu um baixo Dallas Tuxedo e um amplificador de 10 watts, e quando dominou o instrumento, se juntou a alguns grupos locais. Ele entrou para o Tin Pan Alley como músico de apoio do vocalista Chris Wayne."
Primeira oportunidade
"O grupo não fez sucesso, mas [John Paul Jones] ficou bem conhecido em Londres com apresentações no Saturday Club e outros programas no rádio e na televisão. E foi aí que ele começou a se tornar conhecido no meio musical, até que um dia teve uma oportunidade e não a deixou escapar:
'Eu encontrei Jet Harris, que tinha acabado de sair do The Shadows, andando na Archer Street um dia. Foi bem quando 'Diamonds' decolou nas paradas (...) o que aconteceu tão rápido que Jet Harris e Tony Meehan nem sequer tinham um grupo de apoio. Eu vi a oportunidade e aproveitei. Eu fui até Jet e perguntei se ele precisava de um baixista. Ele marcou um teste e eu consegui a vaga.'
John tocou na banda de apoio de Jet e Tony em shows por todo o país, e também em suas gravações seguintes. E aquilo foi apenas o começo, já que a experiência o rendeu uma atraente proposta de Mickey Most."
Proto-Led Zeppelin
John Paul Jones seguiu trabalhando como músico de estúdio até a formação do Led Zeppelin, no final de 1968.
Um de seus maiores destaques foi tocar em "Their Satanic Majesties Request" (1967), dos Rolling Stones. "She's a Rainbow", uma de suas faixas mais populares, é perfeitamente complementada por um arranjo de cordas de Jones.
Foi o empresário dos Stones Andrew Oldham que disse que seu nome de batismo, John Baldwin, não tinha apelo comercial, e sugeriu que mudasse para John Paul Jones. Nessa mesma época, ele tocou com Jimmy Page em "Sunshine Superman", de Donovan.
Uma de suas últimas sessões como músico de estúdio foi com PJ Proby, no final de 1968, em "Jim's Blues". Nessa faixa ele tocou não apenas com Jimmy Page, como também com John Bonham na bateria e Robert Plant na gaita: o nascimento do Led Zeppelin.
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