Quando o Pink Floyd quase quebrou e teve que gravar um disco para fazer dinheiro
Por Bruce William
Postado em 03 de maio de 2022
Estamos em 1978. O Pink Floyd já era uma das maiores bandas de todos os tempos, e seus dois últimos álbuns, "Dark Side of the Moon" e "Wish You Were Here" trouxeram fama e fortuna para seus integrantes, o primeiro um dos maiores trabalhos de todos os tempos, sempre presente em listas de "melhores" e com mais de 45 milhões de cópias vendidas ao longo dos anos, e o segundo tendo vendido mais de quinze milhões de discos.
Após o sucesso financeiro dos dois álbuns, o Pink Floyd contratou a Norton Warburg, uma empresa de contabilidade e investimentos, para fugir das altas taxas de impostos cobrados sobre fortunas no Reino Unido. Conforme descreve Franco Santos Alves da Silva na sua tese de pós-graduação intitulada "O Lado Escuro: Narrativas Distópicas Na Obra do Pink Floyd 1973-1983": "Assim, por meio de uma operação que economizaria nos impostos através do capital de risco, o Pink Floyd investiu em uma série de empresas. A desvantagem, segundo o baterista (Nick Mason), 'era de que mesmo que elas se tornassem sucesso, teríamos que nos livrar delas para evitar chamar atenção dos fiscais da receita por enriquecimento ilícito, pois era a forma como o acordo fora construído'. Naquele período, o grupo era dono de fábricas de barco a remo, hotel falido, calçados infantis, Memoquiz (precursor de jogos eletrônicos portáteis), Benji Boards, uma fábrica de skate, pizzas, e um restaurante em um barco flutuante".
Mas a estratégia fracassou, e em setembro daquele ano a banda descobriu que estava passando por dificuldades financeiras, pois a NWG tinha investido cerca de três milhões de libras do grupo em capital de risco para reduzir as suas obrigações fiscais em negócios que não deram certo, deixando a banda com altas dívidas fiscais, que chegavam a até 83 por cento dos valores investidos. O Pink Floyd terminou seu relacionamento com a NWG, exigindo a devolução de fundos não investidos.
Com o Pink Floyd eles realizaram o sonho de garoto de ficar milionários mas perderam tudo
Os integrantes da banda foram aconselhados a deixar o Reino Unido antes de 6 de abril de 1979, por um período mínimo de um ano. Como na época quem não fosse residente não pagava impostos no Reino Unido, em cerca de um mês todos os quatro membros e suas famílias haviam deixado o país. Roger Waters se mudou para a Suíça; Nick Mason foi para a França; David Gilmour e Richard Wright optaram por se mudar para as ilhas gregas.
"Por força da necessidade, tive que me envolver intimamente com o lado dos negócios", disse Gilmour, "porque ninguém ao nosso redor se mostrou suficientemente capaz ou honesto para lidar com isso, e vi com a Norton Warburg que a situação estava chegando de forma ameaçadora aos nossos fãs. Eles não foram os primeiros criminosos com quem nós nos aliamos de forma estúpida. Desde então, não sai um centavo sem que eu tenha checado, eu passei a assinar todos os cheques e examinar tudo".
Roger Waters comentou o assunto em uma entrevista de 1987, quando lhe perguntam sobre o problema fiscal pelo qual passou o Pink Floyd, e se aquilo o atingiu profundamente: "Ah sim, foi uma empresa chamada Norton Warburg, dirigida por um cara chamado Andrew Warburg. A ideia era pegar a receita bruta e administrá-la através de uma empresa financeira para protegê-la do pagamento imediato do imposto sob a alegação de que estava sendo usada para financiar investimento em capital de risco. Era tudo legal. Mas o que Norton Warburg fez foi transferir dinheiro de conta em conta e receber enormes taxas de administração cada vez que o movimentavam. Estávamos indo à falência. Perdemos alguns milhões de libras - quase tudo que fizemos com 'Dark Side Of The Moon'. E aí descobrimos que o governo poderia vir e nos pedir 83% de imposto sobre o dinheiro que havíamos perdido, valor que a gente não tinha. Então fomos de garotos com 14 anos de idade com guitarras guitarras e fantasias de ser rico e famoso, até a realização do sonho com o 'Dark Side Of The Moon', mas, ao sermos gananciosos e tentar proteger o dinheiro que ganhamos, acabamos por perdê-lo. Então, com base nisso, decidimos ir para fora do país para fazer o próximo disco, 'The Wall', e tentar conseguir algum dinheiro para pagar essa possível conta de imposto".
E conseguiram: "The Wall", com mais de 30 milhões de cópias comercializadas, é o segundo disco mais vendido da banda, perdendo somente para o "Dark Side of the Moon" com suas já citadas mais de 45 milhões de cópias vendidas ao longo dos anos.
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