Bob Dylan fala sobre a importância da literatura em sua composição musical
Por André Garcia
Postado em 12 de junho de 2022
No começo dos anos 60, a meca da música folk era a cena de Greenwich Village, em Nova Iorque. E com apenas vinte e poucos anos, Bob Dylan já era um de seus nomes mais notáveis, tendo na bagagem hinos como "Blowin' in the Wind'. Vencedor do Prêmio Nobel da Literatura em 2016, já faz quase seis décadas que ele é endeusado como um dos maiores compositores da música popular.
No entanto, conforme publicado pela Far Out Magazine, sempre que é colocado num pedestal, ele tenta convencer seu interlocutor de que não faz nada de mais. Em entrevista para Paul Zollo, ele disse: "No que se refere a composição, qualquer idiota consegue. Qualquer um escreve uma música, da mesma forma que qualquer um introduz [elementos] de um grande livro nela." Defendendo que ser um grande compositor não é questão de querer, e sim de necessitar, para ele o segredo é ter "um coração puro e algo a dizer — isso é outra história."
"Quando eu comecei a escrever minhas próprias músicas", prosseguiu o trovador americano, "o linguajar folk era o único vocabulário que eu conhecia e usava. Mas aquilo era outra coisa também. Eu tinha princípios, sensibilidade e uma visão de mundo informada. Eu tive aquilo por um tempo. Aprendi tudo na escola."
"As típicas leituras escolares te dão uma forma de enxergar a vida, uma compreensão da natureza humana, e um ponto de referência para medir as coisas. Eu levei tudo aquilo comigo quando comecei a compor letras. As temáticas daqueles livros foram parar em muitas das minhas músicas, quer fosse de propósito ou sem intenção. Eu queria escrever músicas diferentes de qualquer coisa que alguém já tivesse ouvido, e aqueles temas foram fundamentais", concluiu.
Bob Dylan é um nome que encabeçou diversas listas de maiores compositores de todos os tempos. Na lista da Rolling Stone, por exemplo, ele ficou no topo, seguido por Paul McCartney e John Lennon.
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