A música de Raul Seixas que critica a seleção brasileira e o futebol
Por Bruce William
Postado em 22 de novembro de 2022
Neste vídeo da série "Segundou com Raul", o jornalista e especialista em Rock Nacional Júlio Ettore fala sobre "Super-Heróis", canção que abre o álbum "Gita", lançado por Raul Seixas em 1974.
Diz Júlio sobre a música: "Dá um pitaco nesse hábito nacional de idolatrar o futebol e a seleção, e a cultura do pão e circo de ficar entretido, enquanto as coisas verdadeiramente importantes não ganham a devida atenção. O Raul Seixas não era muito fã do esporte bretão", explica o jornalista. "E nessa letra é criticada a histeria nacional em torno, não só do futebol, mas de diversos símbolos que eram reverenciados pela população do Brasil", comenta Júlio, enquanto vão aparecendo no vídeo imagens do apresentador Sílvio Santos e do piloto de automobilismo Emerson Fittipaldi.
Depois de relatar o que se sabe sobre o incidente envolvendo Raul Seixas e o já citado Sílvio Santos, com versões que dizem que eles chegaram a sair no tapa, Júlio mostra e comenta o trecho que fala diretamente sobre futebol: "Como é que eu posso ler/ Se eu não consigo/ Concentrar minha atenção/ Se o que me preocupa/ No banheiro ou no trabalho é a seleção".
Bem mais adiante, depois de desenvolver os outros temas citados no primeiro parágrafo (Sílvio Santos, Emerson Fittipaldi), Júlio retorna ao tema futebol, usando uma declaração de Jotabê Medeiros no livro "Não diga que a canção está perdida": "Quase toda sua obra futura destinaria um olhar crítico, quando não sarcástico, sobre a paixão nacional pelo futebol. Já em seu álbum de estreia, 'Sociedade da Grã-Ordem Kavernista', no sambão 'Aos trancos e barrancos', Raul entra de voadora na garganta da paixão nacional ("Pra que pensar se eu tenho o que quero/ Tenho a nega, o meu bolero, a TV e o futebol").

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