Bruce Kullick comenta "Carnival of Souls", o álbum renegado do Kiss
Por André Garcia
Postado em 04 de novembro de 2022
Quando se fala em Kiss, logo vem à cabeça as roupas de couro, os saltos de 20 centímetros e, claro, as maquiagens. Entretanto, por um período de pouco mais de 10 anos, entre os anos 80 e a década seguinte, a banda teve sua fase desmascarada. E nessa fase Bruce Kullick pode não ter sido o único guitarrista solo, mas certamente foi o principal e mais importante.
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Irmão mais novo do também guitarrista Bob Kullick, que já havia tocado com a banda como músico de estúdio, Bruce se juntou a ela no "Animalyze". Inicialmente tido como um quebra-galho, acabou efetivado após o afastamento de Mark St. John por motivos de saúde. Ao longo de sua passagem, trabalhou em seis álbuns de estúdio, sendo o último deles "Carnival of Souls" (1997).
Considerado seu álbum esquecido, "Carnival of Souls" começou a ser gravado em 1995, com o Kiss decidindo tardiamente embarcar na moda do grunge. Uma má ideia, já que naquela época a cena de Seattle já dava claros sinais de decadência.
Para piorar, em 1996, durante sua gravação, rolou a reconciliação com Ace Frehley e Peter Criss, bem como o retorno às máscaras. Dessa forma, Gene Simmons e Paul Stanley estavam com a cabeça muito mais voltada para a reunião do que para o disco, cabendo assim a Bruce chamar mais a responsabilidade para si.
Conforme publicado pela Ultimate Classic Rock, em recente entrevista para a EON Music o guitarrista comentou a faixa final do álbum. "I Walk Alone" foi escrita por ele em co-autoria com Gene, sendo a única onde ele assume o vocal.
"Eu com certeza pude fazer com 'I Walk Alone' o que eu visionava para ela. Aquela lá é minha! Mas é verdade que aquele disco foi um grande, grande passo na direção do que chamavam de grunge na época. Eu ainda defendo as performances e a música."
Após observar que originalmente o disco soava "muito mais próximo" de seu antecessor, o bem-sucedido "Revenge" (1992), ele prosseguiu:
"Toby Wright, que co-produziu o disco, tinha os dois pés naquele mundo [grunge], tendo trabalhado com Alice in Chains, e foi muito feliz com aquilo. Por mais que ele conhecesse o Kiss por ter trabalhado como engenheiro de som em um outro disco, ele levou demais para aquele lado. E Gene e Paul na época da mixagem estavam com a atenção voltada para a turnê de reunião."
Com o Kiss não lá muito empolgado com o resultado do disco e já totalmente envolvido com a turnê de reunião, "Carnival of Souls" acabou engavetado. Comprovando sua fama de álbum mais pé-frio da banda, ele sofreu ainda com a pirataria até finalmente ser lançado de forma oficial – o que aconteceu apenas em 1997, quando a moda do grunge já era passado.
"Todas aquelas versões que vazaram eram horríveis, indo de cassette em cassette. Eu me lembro de um cara com quem eu tinha trabalhado, e acho que foi ele que vazou! Por que ele faria aquilo? Eu tive nove coautorias! O que eu ganharia com as pessoas pirateando minhas músicas? Estavam me extorquindo! Eu queria matar ele quando ele me contou", concluiu.
"Carnival of Souls" é comumente listado entre os piores álbuns do Kiss, chegando em alguns casos a ser colocado abaixo do fiasco "Music From the Elder". Na opinião deste que vos escreve, vale mais a pena ouvir o segundo do que o primeiro. "Music From the Elder" pode ter faixas sofríveis, mas também tem algumas outras bacanas, e que soam muito mais como Kiss, como "Dark Light", "Escape from the Island" e "The Oath".
Confira abaixo uma das raras vezes em que o Kiss tocou "The Oath" ao vivo, já que o disco sequer vendeu o bastante para justificar uma turnê:
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