Jimmy Page comenta como teria sido álbum seguinte a "In Through the Out Door"
Por André Garcia
Postado em 24 de dezembro de 2022
A discografia do Led Zeppelin é repleta de verdadeiras obras-primas, mas, para muitos fãs, seu desfecho com "In Throught the Out Door" foi um anti-clímax. Além de faixas mais voltadas para os teclados, faltou aquela pegada e aquela inspiração, tão abundantes no passado.
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Em entrevista para a Rolling Stone em 2020, entre outras coisas, o guitar hero falou sobre os planos que ele tinha de produzir um álbum pesado do Led Zeppelin a seguir — plano que jamais se realizou, com a morte de John Bonham e o fim da banda.
Rolling Stone: Eu li que, após "In Throught the Out Door", você e Bonham queriam fazer um disco do Led Zeppelin mais pesado. Qual era sua visão para aquilo?
Jimmy Page: Pois é, nós já estávamos fazendo coisas em 1980. Fizemos uma turnê pela Europa. O que aconteceu foi que "Presence" era um disco de guitarra. Depois dele. John Paul Jones arrumou uma dream machine [máquina de sonhos], um [sintetizador] Yamaha (Stevie Wonder também tinha um). Aquilo deu a ele muita inspiração, [tanto que] de repente, ele começou a escrever um monte de músicas — algo que nunca tinha acontecido até então. Então pensei que o caminho a seguir era dar destaque a John Paul Jones no teclado. Ele escreveu umas coisas com Robert [Plant], que eu pensei "Isso é ótimo!" Na época, eu sabia a forma que o álbum estava tomando, mas o seguinte teria sido uma ruptura com álbum de teclado.
"Após as sessões de gravação do 'In Throught the Out Door', John Bonham e eu chegamos a discutir como queríamos fazer algo mais baseado em riff, mais pesado e desafiador. E, é claro, eu sabia bem o tipo de bateria que ele curtia tocar: muito pesada. Ele gostava de tocar o tipo de coisa que as pessoas diziam: 'Uau! O que é isso?' Eu também gosto disso, em minhas partes de guitarra. Tínhamos uma vaga ideia do que fazer, que basicamente era não fazer um disco de teclado. Poderia até ter teclado, talvez, mas seguiria mais uma outra direção. Teria sido algo diferente de qualquer coisa que já tínhamos feito antes. Obviamente, não tivemos chance de fazer aquilo, porque perdemos John."
Led Zeppelin
Após a separação do Yardbirds em 1968, coube ao guitarrista Jimmy Page cumprir o restante da agenda de shows acompanhado de outros músicos como The New Yardbirds. Os escolhidos para a missão foram Robert Plant, John Paul Jones e John Bonham, e o resultado ficou tão bom que foi unânime a decisão de dar continuidade àquilo com o nome Led Zeppelin.
Já em seus primeiros álbuns, se tornou uma das maiores bandas do planeta com seu blues, não só pesado como enriquecido com referências musicais das mais diversas. Após chegar à estratosfera com "Led Zeppelin IV" e hits como "Stairway to Heaven", nos trabalhos seguintes embarcou em uma sonoridade mais experimental e progressiva, usando e abusando de elementos de estúdio. Fase essa que chegou ao auge no álbum duplo "Physical Graffiti" (1975).
A partir dali, por outro lado, a banda começou a sofrer com os desgastes entre seus integrantes. Para piorar, Robert Plant passou por problemas de saúde e tragédias pessoais, como a morte de seu filho Karac, de apenas cinco anos. E isso ao mesmo tempo que Jimmy Page, conforme afundava no alcoolismo, não conseguia mais repetir ao vivo as performances do começo da década.
A história do Led Zeppelin foi repentina e tragicamente encerrada em 1980 com a morte do baterista John Bonham, após tomar dezenas de doses de whisky. Apesar de reuniões esporádicas com bateristas como Phil Collins e Jason Bonham — filho de Bonzo — jamais produziu novo material.
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