Iron Maiden e a decisão de Vladimir Putin que arruinou o título de uma canção clássica
Por Bruce William
Postado em 27 de janeiro de 2023
Lançado em setembro de 1984, "Powerslave", quinto álbum de estúdio do Iron Maiden, faz parte do que grande parte dos fãs chama de "fase clássica" da banda, que foi a época em que o grupo britânico se consolidou, tendo em sua formação naqueles tempos Bruce Dickinson no vocal, Adrian Smith e Dave Murray nas guitarras, Steve Harris no baixo e Nicko McBrain na bateria.
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Este é um dos discos preferidos de muitos por causa da temática ligada ao Egito Antigo, e que rendeu a lendária "World Slavery Tour". Recheado de clássicos, "Powerslave" traz, dentre outras, a faixa-título, "Aces High", "Rime of the Ancient Mariner" e também uma das músicas mais emblemáticas do Iron Maiden: "2 Minutes to Midnight", escrita por Adrian Smith e Bruce Dickinson.
"É basicamente uma música de hard rock. Quando componho, estou voltado para a guitarra, é assim que eu sou", disse Adrian em 2019, em matéria publicada no Ultimate Classic Rock. "Eu estava sentado no quarto de hotel trabalhando nesse riff quando Bruce bateu à porta. Mostrei a música pra ele, que tinha um monte de letras. Ele começou a cantar e aprontamos a música em cerca de vinte minutos".
Literalmente uma canção de protesto sobre um possível conflito nuclear, "2 Minutes to Midnight" ataca a comercialização da guerra em nível global com políticos e poderosos enriquecendo ainda mais com a desgraça alheia e como ao final de toda e qualquer guerra as coisas estão sempre piores do que estavam antes. "É uma música sobre a experiência da guerra, sobre o romance, o horror daquilo, tudo junto, e do fato que infelizmente somos repelidos e fascinados por isso ao mesmo tempo", disse Bruce. Como na época a tensão da Guerra Fria estava no auge, decidiram usar a coisa do Relógio do Juízo Final. "Ele marcava dois minutos para a meia-noite. Aquilo soava como o título de uma música", contou Bruce na sua autobiografia "What Does This Button Do?", lançada em 2017.
A questão é que aquele título escolhido na época hoje em dia está incorreto. Conforme relata um artigo da CNN, o Relógio do Juízo Final ("Doomsday Clock" no original), que foi criado logo depois da Segunda Guerra Mundial, usa uma série de complexos cálculos matemáticos para medir a possibilidade real de acontecerem eventos catastróficos, dentre eles epidemias, mudanças climáticas bruscas e, principalmente, conflitos nucleares.
Quando começou a fazer suas medições, o relógio estava a sete minutos da meia-noite. Ao longo dos anos ele se aproximou e se afastou, até que em 2021 atingiu a marca de 100 segundos para a meia-noite por causa da pandemia e dos sérios riscos de uma corrida armamentista. E o ajuste mais recente, passados apenas poucos meses, foi feito no final de 2022, considerando tudo que vivemos nos dias de hoje e, principalmente, o atual conflito entre Rússia e Ucrânia. Nele, o relógio foi ajustado para noventa segundos, o mais próximo que já chegamos da meia noite.
Mas dificilmente Bruce vai cantar "One minute and a half to midnight" ou "Ninety seconds to midnight" quando subir ao palco na próxima turnê do Iron Maiden, o que torna o título da música obsoleto nos dias de hoje. Pode parecer uma preocupação boba. Mas quem dera se essa fosse, de fato, a nossa única preocupação... certamente o mundo estaria bem menos perigoso...
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