O hit do Charlie Brown Jr que Chorão canta para si mesmo sobre vício em cocaína
Por Gustavo Maiato
Postado em 22 de setembro de 2023
Em vídeo no seu canal no Youtube, Júlio Ettore contou a história da música "Quinta-Feira", presente no disco "Transpiração Contínua Prolongada", do Charlie Brown Jr, lançado em 1997 pelo selo Virgin.
O youtuber explica que a música fala sobre quando o vício em drogas domina a pessoa e acabou se tornando bastante pessoal para o vocalista Chorão, que sofria desse mal.
"No segundo semestre de 2012, Alexandre Magno Abrão, conhecido como Chorão, estava passando por uma fase de consumo intenso de cocaína. Ele enfrentava problemas não resolvidos com Champignon e frequentemente perdia a paciência, chegando a gritar com as pessoas ao seu redor. Após muita insistência de sua esposa Graziela, ele decidiu procurar ajuda médica para tratar sua dependência química.
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Durante uma das conversas com Graziela, Chorão chegou a admitir que estava tendo dificuldades em lidar com os fãs e cantar certas músicas. Entre essas músicas, estava ‘Quinta-feira’, que ‘aparentemente parecia inofensiva, mas acabou dominando-o’, como dizia a letra. A essa altura, parecia que Chorão estava cantando para si mesmo, pois a canção contava a história de um homem consumido pelo vício em cocaína. No entanto, essa música também simbolizou a união do Charlie Brown Jr. em sua fase mais produtiva".
Os últimos momentos de Chorão
O vocalista Chorão, do Charlie Brown Jr., faleceu em 6 de março de 2013, aos 42 anos de idade. O primeiro a encontrar o corpo do cantor sem vida foi seu motorista e amigo, Kleber Atalla, que compartilhou os momentos tensos que se seguiram após a descoberta.
Em uma entrevista ao Podcast À Deriva, cujos trechos foram compilados pelo Cortes Podcast, Atalla explicou que, após notar o desaparecimento de Chorão, procurou um dos seguranças do cantor para obter acesso ao apartamento em São Paulo onde ele estava. Atalla descreveu a situação como extremamente difícil, lembrando que expressou seu desespero, enfatizando que não era o momento certo para Chorão partir. Ele foi quem encontrou o corpo do cantor.
Atalla explicou a complexidade de entrar no apartamento, já que este era blindado e não havia uma chave mestra disponível. Foi necessário esperar pela empresa responsável pela blindagem, o que poderia levar até 10 horas. A situação era crítica, pois Chorão estava desaparecido, causando grande apreensão. Não era viável entrar no apartamento utilizando um cabo, uma vez que Chorão vivia na cobertura.
Finalmente, eles conseguiram acessar o apartamento e Atalla descreveu o momento em que encontrou Chorão deitado de bruços no chão, cercado por uma poça de sangue. O motorista ficou perplexo e considerou a possibilidade de que Chorão tivesse cometido suicídio, uma vez que ele era conhecido por possuir uma arma. No entanto, Atalla afirmou que sabia que Chorão não faria isso. Ele verificou o corpo e percebeu que estava frio, concluindo que Chorão havia falecido. Ele então informou ao segurança sobre a trágica descoberta.
Em outro trecho da entrevista, Atalla compartilhou como teve que lidar com a polícia, a imprensa, o Instituto Médico Legal (IML) e enfrentou acusações de ter fornecido as drogas encontradas junto a Chorão naquele momento.
Ele explicou que entrou em contato com seu advogado para relatar a situação e que o advogado recomendou chamar a polícia. Eles conversaram com um delegado para evitar chamar o 190 e causar tumulto. No entanto, um policial militar ouviu a conversa e chamou a imprensa, o que resultou em um tumulto na porta do apartamento. O IML foi chamado e removeu o corpo de Chorão. Atalla enfatizou que não mexeu em nada na cena e que estava repleta de drogas.
No final, o amigo de Chorão explicou que conseguiu esclarecer que não foi ele quem forneceu as drogas, mas a situação o afetou emocionalmente profundamente. Ele lembrou que as autoridades levantaram a possibilidade de luta corporal, mas ele negou qualquer envolvimento em tal ocorrência. Atalla destacou que Chorão havia falecido sozinho, e ele não tinha conhecimento de quem fornecia as drogas. A experiência deixou-o emocionalmente abalado, enquanto ele enfrentava suspeitas de envolvimento com o fornecimento de drogas, mas, no final, essas acusações não resultaram em nada.
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