Gary Moore sobre ter abandonado o hard rock: "Não me via mais naqueles discos"
Por André Garcia
Postado em 11 de outubro de 2023
As três passagens de Gary Moore pelo Thin Lizzy nos anos 70 fizeram dele um guitar hero irlandês do rock pesado. Ao longo da década seguinte, em carreira solo, ele foi ainda mais fundo naquela estrada, vestindo (musical e esteticamente) o hard rock oitentista.
Gary Moore - Mais Novidades
Em 1990, com a chegada da nova década, Moore se reinventou artisticamente com uma sonoridade mais blueseira, mais melódica, madura e AOR. Essa fase ficou eternizada pelo hit "Still Got the Blues".
O escritor e jornalista musical Mick Wall foi autor de biografias de bandas como Led Zeppelin, Guns N' Roses, Metallica e Black Sabbath. E foi a ele, para a Classic Rock, que Gary Moore explicou aquela transição em sua carreira. Tudo começou após a turnê de "After The War", seu último disco de hard.
"Eu tinha acabado de voltar da turnê e tinha corrido tudo bem, sabe? Bom público… o de sempre. Mas, no final [de cada show], eu costumava me olhar no espelho do camarim, todo embonecado como um cara do Def Leppard, e pensava comigo mesmo: 'Quem você pensa que é? Você parece um babaca'."
"De repente, eu não sabia mais quem tinha feito aqueles álbuns. Eu não me reconhecia mais em nenhum deles. Eu pensei, 'F*da-se, tenho que fazer algo a respeito disso'. Só que eu não sabia o quê. Então, peguei minha guitarra novamente e essa coisinha de blues [o inconfundível lick de 'Still Got the Blues'] simplesmente saiu sozinha. Percebi que aquilo era o que acontecia toda vez que eu pegava a guitarra. Era sempre um blues que saía primeiro, porque era a música que fluía mais naturalmente para mim. Pensei, 'Hmm...'."
"A única razão pela qual coloquei um terno na época de 'Still Got The Blues' é porque eu queria enviar uma mensagem muito clara aos fãs de rock. Que o que eu estava fazendo agora não necessariamente era algo que eles iriam gostar. E também como um sinal para pessoas que talvez não tivessem gostado de nada que eu tinha feito no passado, de que, novamente, aquilo era algo diferente, algo novo. Eu queria começar com uma folha em branco e o terno parecia uma boa maneira de transmitir essa mensagem.
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



5 clássicos do rock cujas letras envelheceram mal
Nazareth abre a turnê brasileira em Vitória com clássicos de cinco décadas
Mick Box, guitarrista do Uriah Heep, conta como Brexit dificultou tudo para bandas britânicas
Quando Robert Plant enquadrou uma banda por plágio e levou o troco na mesma hora
A música do Toto que se tornou trilha sonora do vôlei na Rede Globo
Como é tocar com um ex-membro de Shaman e Angra, segundo Paulo Ricardo
Ian Anderson (Jethro Tull) lembra de quando Joey Ramone lhe pediu autógrafo
A banda que vendeu milhões nos anos 70 e hoje não aparece nas listas de rock clássico
O clássico dos anos 70 que para Slash tem o "melhor timbre de guitarra de todos os tempos"
A banda americana que não conseguiu competir com o Led Zeppelin no palco
O dia em que Ozzy Osbourne entrou em um protesto contra ele mesmo e ninguém percebeu
Com Corey Glover (Living Colour) nos vocais, One Tribe Nation lança cover do Black Sabbath
A música do Van Halen que Gene Simmons coloca acima até de "Eruption"
O disco do rock nacional que "custa mais que o seu carro", segundo Sérgio Martins
O álbum de 1972 que Mick Jagger dos Rolling Stones disse não ter música ruim

Blues Alright: 05 grandes músicos de rock que lançaram discos de blues
O guitarrista que The Edge, do U2, admitiu nunca conseguir alcançar


