Marco Antunes diz que se arrepende de apoiar decisão de tirar Andre Bastos do Angra
Por Gustavo Maiato
Postado em 23 de fevereiro de 2024
O baterista Marco Antunes, primeiro do Angra, participou de live no Ibagenscast e refletiu sobre a ocasião em que o guitarrista Andre Bastos foi retirado da banda, dando lugar ao André Zaza, que também saiu depois para entrada de Kiko Loureiro, antes da gravação do "Angels Cry".
"Eu não vou mentir. Eu fui um dos que fui a favor do Andre Bastos sair. Hoje, vejo isso como um erro. Na verdade, vejo isso como um erro tem tempo. Vejo um erro também a saída do Zaza, que eu não queria. Eu sou privilegiado de ter trabalhado com muitos músicos acima da média. Nem sempre o craque tem que estar no time. Nem sempre um time precisa ser formado só de craques. Ficou muito claro para mim desde que me dediquei mais para a produção musical. Será que era imaturidade minha?
Será que vou aceitar o que o produtor Charles fez? Depois de 30 anos produzindo, tenho certeza que ele errou em tudo ali. Até no som do disco. Mas voltando ao Bastos, vejo como um erro a saída dele. Na época, achei que ele era abaixo tecnicamente, apesar de ser um amigo fantástico. Estávamos num deslumbre. Eu não devia ter pego essa causa para mim, porque sou um cara mega preguiçoso para ficar estudando igual um maluco e tecnicamente perfeito para tocar metal. Não me dá esse tesão. Na época, fui até julgador com o Andre Bastos. Ele fazia bem ao espírito da banda, honestamente".
Em entrevista a Gustavo Maiato, André Bastos contou como entrou no Angra e como foi sua passagem pela banda.
"Na minha época de escola, pensava em ser músico profissional. Estudava com o Rafael Bittencourt, Luis Mariutti, Edu Falaschi e vários nomes do metal nacional. Saí de lá e entrei na faculdade de música Santa Marcelina, com o Rafael. Lá, já estudava um dos meus maiores ídolos, que era o Andre Matos. Ele era só 6 meses mais velho que eu, mas eu o admirava muito pelo Viper.
Então, ele saiu do Viper, e eu tinha uma banda chamada Skyscraper. Daí, o Rafael me chamou para montar uma banda nova, do zero! O Andre Matos se ofereceu para se juntar. Esse foi o embrião do Angra. Eu estava pensando em largar a música, o Brasil estava em uma crise muito difícil, meu pai estava dois anos desempregado. Eu estava devendo a faculdade. Conseguia pagar parte da mensalidade dando aulas de música, mas estava difícil.
Foi aí que apareceu essa história da banda com o Andre Matos e o Rafael! Bom, o Angra deu certo, mas não deu certo para mim! Fiquei no começo da banda, ensaiei algumas músicas, mas a diferença técnica era clara. Quando o Rafael veio conversar comigo para eu sair, já decidi não fazer mais música profissionalmente. Resolvi entrar na faculdade de Engenharia Elétrica. Hoje, moro nos EUA, vim para cá por isso.
Nesse período pós-Angra, toquei em várias bandas. Fui conhecendo outras pessoas e montei uma banda em 1993 meio por acidente! No bar Black Jack estava tendo um festival e chamamos um baterista e baixista. Sempre quis uma banda com o nome "Twilight". Perguntei logo quem queria entrar na "Twilight"! Não dei nem opção para sugerir o nome. Inclusive, na época do Angra, sugeri esse nome, mas foi vetado!
Fizemos então um show e foi muito legal. Isso foi de 1993 até 1997. Nesse período, compomos muitas músicas. Eu era o principal compositor. Fiz todas as músicas desse disco que saiu agora já naquela época, entre 1993 e 1997. Tenho outras 10 músicas que não foram gravadas ainda! Ou seja, tem um segundo disco inteiro já escrito só com canções daquela época".
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