Quando Nina Simone mostrou para John Lennon como uma canção polêmica pode ser subvertida
Por Bruce William
Postado em 06 de novembro de 2024
"Revolution" é talvez uma das faixas mais controvertidas dos Beatles. Escrita por John Lennon e fortemente influenciada pelo ativismo estudantil, pelos protestos contra a Guerra do Vietnã e, especialmente, pelos protestos estudantis de maio de 1968 na França, a canção tem como premissa, em sua letra, que uma revolução jamais deveria ser feita de forma violenta, e é marcada por um som de guitarra distorcido e letras socialmente conscientes. Embora existam três versões principais da música, "Revolution" foi lançada primeiro como o lado B de "Hey Jude", antes de duas versões - "Revolution 1" e "Revolution 9" - aparecerem no lado quatro do "White Album".
Em sua última entrevista com David Sheff em 1980, Lennon revelou que a canção surgiu após anos do empresário Brian Epstein ter impedido que a banda fizesse comentários sobre questões políticas polêmicas como a Guerra do Vietnã. Lennon também disse que Paul McCartney e George Harrison ficaram "ressentidos" com a faixa: "Porque eles estavam chateados com o período de Yoko e com o fato de que eu estava novamente sendo criativo e dominante como era no começo, após um período de letargia, o que desestabilizou as coisas. Eu estava acordado de novo, e eles não aguentaram. A declaração em 'Revolution' foi minha. As letras continuam válidas. Esse ainda é meu sentimento sobre política."
"Revolution" foi criticada pela Esquerda britânica da época, que enxergava as letras pacifistas de Lennon como complacentes em um momento em que acreditavam ser necessária uma ação direta e mais contundente. "Mas quando você fala sobre destruição, não sabe que pode me excluir," era uma crítica às táticas violentas usadas por pessoas que não acreditavam que tudo ficaria "bem" sem interferência, tal qual Lennon sugere em "Revolution".

A "resposta" de Nina Simone a "Revolution" de John Lennon
Um ano após o lançamento de "Revolution" dos Beatles, Nina Simone "respondeu" com sua própria "Revolution". Simone pegou os versos de Lennon e alterou drasticamente alguns trechos, criando literalmente uma nova versão da canção, bem mais contundente que a original. Nina pegou pedaços que na letra original diziam coisas como "Você diz que quer uma revolução/ Bem, como você sabe/ Todos queremos mudar o mundo/ você me diz que isso é evolução/ Bem, como você sabe /Todos queremos mudar o mundo" e transformou em "E agora no meio de uma revolução/ Porque eu vejo o rosto das coisas que estão por vir/ Oh, sua Constituição/ Bem, meu amigo, vai ter que capitular/ Estou aqui para falar pra você sobre a destruição/ De todo o mal que vai ter que acabar."
A perspectiva de Simone como uma mulher negra na América de 1967 deu uma voz única à sua versão politicamente carregada, contrastando com a versão de Lennon, que deixava patente sua incapacidade de compreender todo o peso do tumulto social devido ao seu privilégio como um homem branco incrivelmente rico que ele já era na época. Inclusive, para sua frustração, Lennon parecia não perceber que Simone estava criticando seus argumentos. Em uma entrevista à Rolling Stone em 1971, Lennon chamou a resposta de Simone de "interessante" e "muito boa - era algo como 'Revolution' mas não exatamente. Gostei disso."
"Revolução significa o que está acontecendo no mundo todo", explicou Simone. "Se você ouvir [com atenção] a letra, verá que, embora inclua a questão racial, ela abrange todas as revoltas e rebeliões que estão acontecendo em todo o mundo... pobres contra ricos, jovens contra velhos, a nova geração contra o antigo establishment."
Mas, no fim das contas, o fracasso comercial da música também aumentou a decepção de Simone, conforme ela relatou em uma entrevista da época: "Eu não entendo. É sobre uma revolução, cara, não apenas de cor, mas de tudo! É sobre as barreiras sendo quebradas, e elas certamente precisam sumir. Precisamos de uma revolução para resolver tudo e voltar para Deus. Você sabe o quão perdidos estamos, cara. É triste."

Com informações do American Songriter, CheatSheet, Wikipedia e Far Out.
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