A música de John Lennon que até as crianças cantam junto, mas era louca demais para Prince
Por Bruce William
Postado em 11 de dezembro de 2024
Prince era conhecido por ser uma pessoa difícil de se impressionar com algo, e durante muitos anos ele não entendia a grande admiração pelos Beatles. No entanto, isso mudou quando ele se deparou com a faixa "Good Morning Good Morning", do álbum "Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band". Embora a música fosse considerada apenas um "exercício de estilo" por John Lennon, ela fez Prince enxergar a banda além de sua superfície pop, revelando um lado experimental que ele nunca havia notado antes.
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"Ele perguntou, 'O que é isso?' Nós dissemos, 'É Sgt. Pepper.' Ele disse, 'The Beatles. Ehhh? Sério?'", contou o baterista Bobby Z sobre o instante em que o pessoal dos bastidores da banda de Prince estavam ouvindo "Good Morning Good Morning". "Ele entrou [e nós ficamos tipo] 'Não, não, não, não, não essa música. Comece de novo.' E, claro, ele não teve paciência, mas eu sei que ele voltou e ouviu aquela música e percebeu que ali havia coisa muito melhor."
Pode parecer estranho uma música como "Good Morning Good Morning", dentre tudo que os Beatles gravaram, ter sido a canção que fez Prince assimilar a banda. Mas como diz Bobby Z: "Naquele instante, acho que ele percebeu que os Beatles eram mais do que ele pensava. Então, ele acabou indo estudar o trabalho deles, mas, como de praxe, era uma exploração estudiosa conduzida com o objetivo de capturar pequenas notas e inspirações para seu próprio trabalho, em vez de se deleitar com o catálogo deles como um fã."
Nos anos 1990, Prince criticou o uso da voz de John Lennon na música "Free As A Bird", chamando a ideia de "demoníaca" e contrária à natureza das coisas. Apesar disso, ele passou a explorar mais profundamente o catálogo dos Beatles, não tanto como fã, mas como um estudioso buscando influências para seu próprio trabalho. Seu baterista, Bobby Z, revelou que, mesmo relutante no início, Prince começou a apreciar a complexidade e a inovação das músicas da banda.
No entanto, Prince tinha opiniões peculiares sobre algumas obras dos Beatles. Ele acreditava que John Lennon alcançou maior universalidade em sua carreira solo, especialmente com "Imagine", que ele considerava atemporal. Já músicas como "I Am the Walrus" não o cativavam da mesma forma, pois ele achava difícil se relacionar com o experimentalismo e as camadas surreais presentes nelas.
Conforme Prince, Lennon "nunca teria escrito a bela música que escreveu no final de sua vida se não tivesse passado pelo que passou com Yoko. Ele nunca teria escrito 'Imagine'. E 'Imagine', graças a Deus, vai existir daqui a dois mil anos, mas uma música como 'I Am The Walrus' não. Você sabe por quê? Porque John não era a morsa, ele era John. 'Imagine' é uma música sobre a verdade e sempre vencerá no final."
Conforme pontua a Far Out, "John não era a morsa, ele era John" é uma frase que quase soa como uma paródia bizarra. Prince não conseguiu assimilar a ideia da música? Possivelmente não, mas isso também reflete sua visão de vida na época. Ele expôs sua crítica a "I Am the Walrus" em um momento em que não apenas mergulhava mais fundo na religião, mas também lutava contra sua gravadora pela posse de sua obra, conciliando o significado pessoal de sua arte em vez de seu lado exploratório.
Ainda assim, "I Am the Walrus" possivelmente será uma das músicas mais duradouras dos Beatles por muito tempo. Ela é ousadamente experimental e inovadora, a milhões de quilômetros do mainstream típico. Ela representa tudo o que os Fab Four buscaram alcançar em sua fase final. A música transcendeu a sociedade a tal ponto que, até hoje, você pode dizer a um sobrinho ou sobrinha "I Am The Walrus", e eles responderão, "Goo-goo-g'joob", seja lá o que isso signifique.
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