O dia que Mick Jagger citou Megadeth e Led Zeppelin como exemplos do que não queria ser
Por Gustavo Maiato
Postado em 06 de dezembro de 2024
Mick Jagger, vocalista dos Rolling Stones, desmentiu os rumores que associavam a banda ao satanismo, alimentados pelo lançamento da música "Sympathy for the Devil". Em entrevista resgatada pela Far Out, o músico classificou como "bobagem" as interpretações que ligavam o grupo a práticas ocultistas e lamentou o impacto dessas acusações na imagem do grupo.
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Lançada em 1968 como parte do álbum "Beggars Banquet", a canção apresenta Jagger narrando em primeira pessoa como o próprio diabo, misturando elementos simbólicos e históricos. Embora concebida como uma provocação artística, "Sympathy for the Devil" foi recebida por parte da imprensa e do público como evidência de uma suposta ligação dos Rolling Stones ao satanismo. Essa percepção foi intensificada pelo álbum anterior da banda, "Their Satanic Majesties Request".
Keith Richards, guitarrista do grupo, também comentou sobre o assunto, relembrando o impacto da polêmica. "Antes, éramos apenas jovens inocentes se divertindo", disse. "Depois dessa música, passaram a dizer que éramos ‘do mal’. Até magos negros acreditavam que éramos agentes de Lúcifer."
Para Jagger, o mal-entendido foi amplificado pela tragédia no Altamont Free Festival, em 1969. Durante o evento, quatro pessoas morreram, e os acontecimentos foram associados ao imaginário sombrio da banda. Ele afirmou que a música acabou sendo envolvida "jornalisticamente" com os eventos de Altamont, mesmo sem relação direta.
Jagger destacou que sua inspiração para a letra veio da literatura, mencionando o poeta francês Charles Baudelaire e o romance O Mestre e a Margarida, do russo Mikhail Bulgakov. Ele também comparou a abordagem artística da banda com a de outros músicos, criticando grupos que levaram a estética satanista a sério. "Nunca quisemos fazer uma carreira com isso. Algumas bandas fizeram, como Jimmy Page ou até o Megadeth. Mas isso nunca foi o que quisemos transmitir."
Dave Mustaine, líder do Megadeth, foi citado por Jagger como exemplo de quem incorporou a temática em suas músicas. Mustaine, que praticou magia negra na juventude, tornou-se um cristão devoto e renunciou às composições que abordavam esses temas, corroborando a visão de Jagger sobre o exagero em torno do satanismo na música.
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