O profundo significado místico do número sete na obra-prima de Raul Seixas
Por Gustavo Maiato
Postado em 06 de dezembro de 2024
A obra de Raul Seixas está repleta de símbolos e significados ocultos, e "O Trem das Sete" é uma das canções que mais se destacam por sua profundidade. Nessa composição, o número sete desempenha um papel central, remetendo a uma simbologia que atravessa culturas, religiões e tradições. O trem descrito na música, por sua vez, carrega um forte caráter metafórico, sugerindo a passagem para outra existência, algo que transcende a vida terrena.
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O site Literatura e Poesia analisa o número sete na canção e ressalta sua conexão com a espiritualidade: "Raul enfatiza uma interação entre a figura mística do trem, que significa o condutor desse mundo para o além-vida. Ele cita o número sete para descrever tudo que o ser humano representa, inferindo Gil Vicente na obra ‘O Auto da Barca do Inferno’, em que todos tinham dois condutores [...] dependendo da escolha do passageiro, iria para o lugar merecido." A comparação reforça a ideia de que o trem simboliza o julgamento, remetendo ao destino final das almas após a morte.
O sete, amplamente reconhecido como símbolo de perfeição e completude, permeia a cultura ocidental e a Bíblia. Como destaca o site As Crônicas Cristãs, "temos sete cores no arco-íris, sete notas musicais, compostas por sete escalas e pausas; a Lua tem quatro fases de sete dias cada. No Apocalipse encontramos: sete estrelas, sete igrejas, sete trombetas, sete selos." Na canção, o horário das sete horas e as montanhas azuis reforçam a ideia de que o trem chega no momento ideal e leva os preparados para o destino que merecem.
Ainda segundo As Crônicas Cristãs, o trem que "vem surgindo de trás das montanhas azuis" sugere uma chegada divina: "O texto bíblico afirma: ‘Eis que vem com as nuvens...’ (Apocalipse 1:7). As montanhas azuis remetem ao alto, ao céu, enquanto o trem fumegando pode ser associado às nuvens que acompanham sua chegada." A interpretação religiosa reforça que o trem simboliza a transição final, disponível apenas àqueles que acreditaram e se prepararam para embarcar.
No site Folha Sertaneja, a análise amplia o caráter metafórico da composição, destacando seu apelo universal. "Olhar o trem é para quem tem bagagem, embora sem bagagem nem passagem tenha acesso ao trem — que vem de trás das montanhas em azul celestial como tesouro preservado para quem vai sorrir e partir." A ideia do trem como redentor resgata valores perdidos e propõe uma reflexão sobre a transitoriedade da vida.
Com sua poesia rica e multissignificativa, Raul Seixas convida o ouvinte a refletir sobre o que carrega na alma. "O trem não carrega bens materiais, apenas os que sabem do trem. Para embarcar, não é preciso pagar nada, mas é necessário crer", afirma o autor do artigo em As Crônicas Cristãs. Essa mensagem, ao mesmo tempo espiritual e universal, transcende o cristianismo, dialogando com a filosofia e a psicologia ao tratar do ciclo da vida e da inevitabilidade da morte.
"O Trem das Sete" vai além e nas palavras de Literatura e Poesia, "é uma viagem que todos fariam quando a morte terrena chegasse com a estação certa de desembarque, dependendo das ações que cada passageiro executou na vida terrena." Raul Seixas, com sua genialidade, deixou mais do que música: legou uma mensagem profunda sobre a jornada da existência e o que realmente importa na hora de partir.
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