Charles Bradley: Presente para os ouvidos (e para fãs do Sabbath)
Resenha - Changes - Charles Bradley
Por Ricardo Seelig
Postado em 16 de abril de 2016
A história de Charles Bradley parece um filme. Em 1962, após assistir a uma das performances incendiárias de James Brown no Apollo Theater, o jovem Bradley sentiu o impacto e começou a cantar e a desenvolver uma linguagem corporal inspirada em seu ídolo. Pobre pra caramba, conseguiu espaço e tocou algumas vezes em clubes, mas viu o sonho acabar quando foi convocado para a Guerra do Vietnã.
Então voltou para os Estados Unidos após o fim do conflito, seguiu perseguindo o objetivo de ser um cantor de soul, mas era preciso conseguir viver. E, aos poucos, o sonho foi ficando de lado. Charles acabou se estabilizando como cozinheiro de um restaurante nova-iorquino, e viveu durante anos assim. Mas aquela pulga sempre esteve atrás da orelha, e o cara foi conseguindo espaço cantando em bandas tributo a James Brown aqui e ali.
Até que, em uma dessas noites que parecem saídas da cabeça de um roteirista, a vida deu uma virada quando Gabriel Roth, um dos fundadores da Daptone Records, assisti e ficou impressionado com Bradley, tanto que o levou para a gravadora, apresentou-o ao produtor Tom Brenneck e ao pessoal da Menahan Street Band. A turma fez um ensaio, Charles soltou a voz e deixou todos de queixo caído.
Foi só aí, aos 62 anos, que Charles Bradley viu o sonho de viver de música se transformar em realidade. Seu primeiro disco, "No Time for Dreaming", foi lançado em 2011. O segundo, "Victim of Love", saiu em 2013. E "Changes", seu terceiro trabalho, acaba de vir ao mundo.
Batizado com a clássica canção do Black Sabbath - e que está no disco em uma releitura simplesmente sensacional -, "Changes" segue a sonoridade apresentada por Bradley nos álbuns anteriores, ou seja, um soul orgânico e cru, com forte presença de metais e doses de funk pra fechar o tempero. Com 11 faixas, o álbum mantém viva a tradição da música negra em um resultado pra lá de bonito, construído com canções contemplativas e fortemente emocionais.
Com "Changes", Charles Bradley segue sua tardia e deliciosa carreira musical, e mais uma vez deixa uma lição: nunca é tarde pra acreditar e, sobretudo, viver nossos sonhos.
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



Músicos da formação clássica do Guns N' Roses se reúnem com vocalista do Faster Pussycat
Luis Mariutti se pronuncia sobre pedidos por participação em shows do Angra
Série dos Raimundos expõe crítica pesada de Canisso à reconciliação entre Rodolfo e Digão
Por que Aquiles Priester não quis opinar nas músicas do show do Angra, segundo o próprio
"Holy Land", do Angra, será relançado em CD e LP
Se os celulares existissem nos anos 80, o Metallica não teria lançado o "Master of Puppets"
Black Sabbath "atrapalhou" gravação de um dos maiores clássicos da história do rock
Rodolfo teria recusado fortuna para se reunir com os Raimundos
A música tocante do Dream Theater inspirada por drama familiar vivido por James LaBrie
O melhor álbum da banda Death, segundo o Loudwire
Jessica Falchi critica sexualização da mulher na guitarra: "Não me verão tocando de biquíni"
O maior guitarrista americano de sua geração, segundo o lendário Eric Clapton
O megahit de Lulu Santos que Nando Reis gostaria de ter escrito: "Tenho vontade de chorar"
Por que o Lollapalooza parece ter "só bandas que você não conhece", segundo o Estadão
Vocalista encoraja fãs a conhecer a fase farofa do Pantera


A todo o mundo, a todos meus amigos: Megadeth se despede com seu autointitulado disco
"Old Lions Still Roar", o único álbum solo de Phil Campbell
Virgo um dos álbuns mais importantes da carreira de Andre Matos
Iron Maiden: "The Book Of Souls" é uma obra sem precedentes


