A cena do filme Bohemian Rhapsody que na verdade nunca aconteceu, segundo Regis Tadeu
Por Gustavo Maiato
Postado em 06 de janeiro de 2025
Em uma entrevista ao canal Linhagem Geek, o crítico musical Regis Tadeu não poupou palavras para criticar a romantização em cinebiografias musicais, especialmente em Bohemian Rhapsody. Ele destacou uma cena do filme que, segundo ele, é completamente fictícia: o momento em que Freddie Mercury espera fora de uma sala enquanto os outros integrantes do Queen decidem se ele deve voltar para a banda.
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"Você realmente acredita nisso?", questionou Regis. "Freddie Mercury, o maior vocalista da história do rock, esperando do lado de fora enquanto os caras decidem se ele deve ou não continuar? Isso é um absurdo completo. É como tentar me vender um urubu pintado de verde dizendo que é um papagaio. Não faz sentido algum".
O crítico aproveitou para ampliar a crítica ao gênero como um todo, mencionando outros exemplos de filmes que, para ele, sacrificaram a verdade em nome do espetáculo. "Essas cinebiografias romantizadas são difíceis de engolir. Pegue o filme do Elvis, por exemplo. Foi ridículo, parecia um episódio mal feito de Malhação. E ainda vêm com a desculpa de que era ‘a visão do Coronel Parker’. Isso é uma saída perfeita para inventar coisas que não aconteceram e colocar a culpa em alguém que já está morto. É simplesmente inverossímil."
Regis também refletiu sobre a indústria por trás dessas produções. "O problema é que muita gente acredita que essas cinebiografias são retratos fiéis. Não são. A verdade é que elas são feitas para agradar fãs, para manter uma ilusão. O fã é esse eterno idiota, incapaz de lidar com os bastidores e com a realidade, porque a verdade quebra a magia. E, sem magia, vende-se menos merchandising."
Ele ainda fez um elogio aos documentários, que considera muito mais honestos. "É por isso que eu prefiro documentários. Mas não aqueles chapa-branca, que só servem para bajular os artistas. Eu gosto de documentários que mostram como as coisas realmente são. O documentário do Rush, por exemplo, é incrível. Mostra os três integrantes se detestando a ponto de não conseguirem fazer uma sessão de fotos juntos. Isso é a realidade, e não essa fantasia vendida no cinema."
Por fim, Regis apontou que o problema deve persistir em futuras produções. "Imagine só a cinebiografia do Michael Jackson. Vai ser um festival de licenças poéticas. E isso só reforça minha antipatia por essas obras. Veja o filme do Cazuza, por exemplo. Foi horrível. Parecia um especial de fim de ano malfeito. Essas produções não respeitam a verdade e transformam momentos importantes da história da música em novela."
Sobre Bohemian Rhapsody, a cinebiografia do Queeen
Bohemian Rhapsody narra a trajetória de Freddie Mercury e da banda Queen, desde os primeiros passos até o icônico show no Live Aid, em 1985. Apesar das críticas à sua precisão histórica, o filme foi um sucesso de bilheteria, arrecadando mais de US$ 900 milhões e garantindo a Rami Malek o Oscar de Melhor Ator por sua interpretação de Freddie.
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