A decepção de Geddy Lee e Alex Lifeson com decisão de Neil Peart sobre fim do Rush
Por Gustavo Maiato
Postado em 29 de março de 2025
A turnê de despedida do Rush, uma das maiores bandas do rock progressivo, foi planejada com cuidado e encerrou uma trajetória de quatro décadas com classe. Mas para Alex Lifeson e Geddy Lee, a sensação de missão cumprida veio acompanhada de um gosto amargo. Em entrevista ao programa Q, da CBC Radio One (via Ultimate Guitar), Lifeson revelou que ele e Geddy sentiram ressentimento por não conseguirem continuar por mais tempo.


"A turnê foi ótima, uma retrospectiva desde a última até a primeira. A gente queria estender por mais 20 ou 30 shows. Queríamos muito tocar na Europa, especialmente no Reino Unido, onde temos muitos fãs. Mas o Neil foi categórico: estava encerrado", contou Lifeson.
A "R40 Tour", que celebrou os 40 anos da entrada de Neil Peart na banda, reuniu mais de 12 mil fãs por noite em 35 apresentações. Mesmo antes de saberem da doença que levaria Peart à morte, a banda já havia decidido parar.

"Neil fez isso por 40 anos. Ele tinha o trabalho mais duro da banda. E ele sentia que, se não pudesse tocar a 100%, estava fora", disse o guitarrista. "Ged e eu ficamos decepcionados. Diria até que ficamos um pouco amargos."
Apesar da frustração, a transição para a vida fora dos palcos não foi difícil. Lifeson se tornou mais caseiro, aproveitou o tempo com os netos e redescobriu outros caminhos. "Você começa a pensar em outras coisas boas da vida que quer fazer. A saudade existe, mas dá pra seguir."
A morte de Neil Peart
A morte de Neil Peart, em janeiro de 2020, deixou uma marca profunda. Assim como aconteceu em 1997, quando Peart perdeu a filha, Lifeson deixou de tocar guitarra por um ano.

"Fiquei sem vontade. A beleza e o amor pela música desapareceram. A mesma coisa aconteceu quando o Neil se foi. Não queria tocar. Simplesmente não era a mesma coisa."
Para lidar com o luto, o guitarrista adotou uma regra pessoal: um ano de luto, depois um recomeço. Foi assim que surgiu o Envy of None, seu novo projeto, cuja proposta sonora é distante do que o Rush fazia — mais etérea e experimental.

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