A obra do Dream Theater que aborda o papel da inteligência artificial na música
Por Mateus Ribeiro
Postado em 21 de maio de 2025
Maior expoente do prog metal, a banda norte-americana Dream Theater possui alguns discos conceituais em seu vasto catálogo. O mais aclamado, sem sombra de dúvida, é o magnífico "Metropolis Pt. 2: Scenes from a Memory" (1999), que se tornou um clássico absoluto do estilo. Por outro lado, o menos popular é "The Astonishing" (2016).
Décimo terceiro álbum de estúdio do Dream Theater, "The Astonishing" conta com 34 faixas. Longe de figurar entre os registros inesquecíveis do virtuoso quinteto, o trabalho gira em torno de uma história futurista, como aponta o release divulgado no site oficial da banda:
"O álbum se passa em um futuro distópico nos Estados Unidos e acompanha a Milícia Rebelde de Ravenskill em sua luta contra o Grande Império do Norte das Américas, utilizando o poder mágico da música como forma de resistência."
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John Petrucci, guitarrista do Dream Theater, explicou a narrativa de "The Astonishing" em entrevista publicada na edição 280 da revista Metal Hammer. Segundo o músico, a história remete a uma estrutura inspirada no feudalismo — sistema político, econômico e social da Idade Média, em que a elite concentrava terras, poder e riqueza, enquanto a população comum vivia em função do trabalho:
"O mundo de ‘The Astonishing’ voltou ao feudalismo, como era quando a aristocracia detinha todo o dinheiro, a terra e o poder, e as pessoas comuns apenas trabalhavam. Então, isso é um pequeno comentário sobre o que está acontecendo hoje em dia e para onde as coisas poderiam caminhar."
Na mesma entrevista, Petrucci revelou que "The Astonishing" também discute o avanço da tecnologia e suas implicações sobre o papel do ser humano, especialmente no campo das artes. Ele apontou um futuro em que máquinas substituem os músicos. Segundo o guitarrista:
"Robôs estão assumindo as funções humanas, e então, o que aconteceria se isso acontecesse com as artes? Nesse futuro, com toda essa tecnologia, na tentativa de criar a música perfeita, criamos máquinas com inteligência artificial — os NOMACs — que produzem música, eliminando a necessidade de humanos nesse processo. A ideia é esse contraste entre ouvir os NOMACs fazendo uma música horrível e sem sentido, porque acham que aquilo é bom, e depois ouvir o Dream Theater tocando com cordas reais, guitarras reais, piano real e um cantor de verdade."
"The Gift of Music" aborda a substituição de humanos por máquinas na criação musical. A canção introduz Gabriel, um jovem com um dom especial. Sua música é capaz de tocar as emoções das pessoas e reacender a esperança em meio a um mundo controlado por sons artificiais.
James LaBrie também participou da entrevista, e falou sobre a forma como a música é consumida nos tempos atuais. O cantor e compositor, que integra o Dream Theater desde 1991, comentou:
"A música definitivamente se tornou um pano de fundo para muitas pessoas. Não é necessariamente algo que as pessoas estejam ouvindo, e poderia facilmente ser um NOMAC em segundo plano, apenas emitindo sons enquanto enviam mensagens de texto aos amigos.
Todo mundo está inundado com tanta mídia hoje em dia. Há muitas distrações, ao passo que, quando estávamos crescendo, era algo pelo qual se esperava ansiosamente - você comprava o álbum e ficava com ele o fim de semana inteiro, porque não tinha todas essas distrações. Esse álbum é muito relevante para isso e para o que estamos vendo acontecer agora."
"The Astonishing" é o sucessor do disco autointitulado do Dream Theater. O álbum foi gravado por James LaBrie (vocal), John Petrucci (guitarra), John Myung (baixo), Mike Mangini (bateria) e Jordan Rudess (teclado). Confira aqui uma resenha sobre o álbum.
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