A banda que atingiu o topo depois de ver Roger Waters com cabelo ensebado e calça boca de sino
Por Bruce William
Postado em 11 de maio de 2025
Antes de alcançar o estrelato, o Radiohead ainda era apenas uma banda em formação, dividindo uma casa bagunçada em Oxford. Entre pratos sujos, jornais velhos e fitas cassete, Jonny Greenwood apareceu um dia com uma fita VHS embaixo do braço. Ele colocou o vídeo no aparelho e disse aos colegas: "É assim que devemos fazer vídeos." O filme era "Pink Floyd: Live at Pompeii."
Gravado em 1971 num anfiteatro romano sem plateia, o registro capturava o Pink Floyd numa performance introspectiva, cercado apenas pelas ruínas de pedra, pela poeira e pelo céu aberto. "Lembro de ver Dave Gilmour sentado tocando guitarra, e Roger Waters com o cabelo ensebado e calça boca de sino...", contou Colin Greenwood, irmão de Jonny, em fala reproduzida pela Classic Rock. A fala, apesar de engraçada, revela o fascínio que aquela imagem provocou numa geração que cresceu ouvindo os discos do Floyd na casa dos pais.

O impacto do filme foi tamanho que até pequenos detalhes ficaram na memória de gerações seguintes, como a cena em que Nick Mason deixa cair uma baqueta durante "One of These Days" e a substitui sem perder o compasso. A naturalidade desse momento virou referência entre bateristas e ajudou a consolidar a aura cult do filme, marcada justamente pela estética crua e espontânea.
"Live at Pompeii" era, à época, um dos únicos registros audiovisuais disponíveis da banda. Em vez de multidões e luzes coloridas, o foco estava na música, nos gestos e na atmosfera. Para o Radiohead, acostumado com a linguagem visual da MTV e dos videoclipes narrativos, aquilo parecia um outro universo, mais próximo da arte e da contemplação do que da performance rock tradicional. Era sobre filmar o som de forma sincera.
O cabelo oleoso de Waters e a expressão concentrada de Gilmour acabaram marcando mais do que qualquer pirotecnia de palco. Aquilo virou modelo. E mesmo que a geração de Jonny Greenwood tenha seguido por caminhos próprios, a forma de apresentar a música com imagens densas e espaço para o silêncio nasceu ali, entre pedras milenares e amplificadores encostados em colunas romanas.
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