O país que está entre o socialismo e o capitalismo, segundo Humberto Gessinger
Por Gustavo Maiato
Postado em 06 de maio de 2025
Durante entrevista ao canal Music Voyage, o músico Humberto Gessinger, famoso por ter integrado os Engenheiros do Hawaii, revelou uma faceta pouco conhecida de sua relação com a Suécia, onde vive sua filha Clara hoje. Conhecido por letras introspectivas e engajadas, o artista gaúcho falou sobre viagens, arquitetura e sua visão política e cultural do país escandinavo, que ele descreve como uma espécie de "meio termo" entre dois sistemas ideológicos opostos: o socialismo e o capitalismo.

O encontro aconteceu em Estocolmo. Apesar do cenário ser europeu, o ponto de partida da conversa foi a introspecção de Gessinger, que contou sobre o hábito de tocar de olhos fechados, algo que atribui à timidez.
Logo no início da entrevista, o cantor revelou não gostar de viajar. "Minha música me colocou asas e me jogou numa montanha", disse, explicando que foi por conta da profissão que pegou um avião pela primeira vez. Entre os destinos mais marcantes, citou a antiga União Soviética e o Japão, que ele considera parecido com a Suécia por causa do silêncio e do traço minimalista — elementos que o atraem desde a época em que estudava arquitetura.
Foi nessa linha que surgiu sua reflexão sobre o papel da Suécia no cenário geopolítico global. "Na adolescência, ela era muito importante pra mim porque era o meio termo do mundo", afirmou. Segundo Gessinger, o país escandinavo exercia um fascínio especial por estar entre dois mundos em conflito durante a Guerra Fria. "Politicamente e economicamente, estava entre o mundo socialista e o mundo capitalista. Era uma terceira via. Tinha esse mistério: como é que a Suécia funciona?"
Esse interesse se aprofundou com o tempo, especialmente depois que sua filha, Clara, se mudou para o país. Ela conheceu a cultura sueca ainda adolescente, fez vestibular para arquitetura, estudou na Suécia, conseguiu um emprego e se casou por lá. Com isso, as visitas de Gessinger tornaram-se frequentes. Mas ele insiste: não se considera um turista. Em suas palavras, tenta absorver o cotidiano local e se manter o mais próximo possível da vida real sueca.
A familiaridade com o país também levou o músico a se aproximar da literatura e da música sueca. Ele mencionou a leitura de livros sobre o estilo de vida escandinavo, além de destacar elementos simbólicos como o cinema de Ingmar Bergman e a figura do tenista Björn Borg. "Ele era galã, mas super quieto. Parou de jogar com 26 anos. Era o contraponto do americano fanfarrão", comparou.
Em uma das visitas à capital sueca, Gessinger gravou uma música no Estúdio Atlantis, famoso por ter recebido o grupo ABBA. Segundo ele, a decisão de gravar ali foi motivada não apenas pela excelência técnica do local, mas também por razões emocionais. A faixa, intitulada Fevereiro 13, foi feita para um aniversário da filha que ele não pôde acompanhar presencialmente. O retorno ao estúdio neste ano serviu para registrar outra canção, ainda não divulgada.
Confira a entrevista completa abaixo.
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