Os três estados brasileiros em que Humberto Gessinger é maior, segundo ex-membro
Por Gustavo Maiato
Postado em 29 de novembro de 2025
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Quando Esteban Tavares relembra o período em que integrou a banda de Humberto Gessinger na época do álbum "Insular" (2013), ele não fala apenas de ensaios em Porto Alegre ou das longas viagens pelo Brasil: fala também de uma descoberta curiosa sobre onde o ex-Engenheiros do Hawaii é realmente maior no país. A constatação veio da convivência diária com o público, dos palcos lotados e das diferenças gritantes de comportamento entre as plateias de cada região.
Em entrevista ao Deu Jazz, Esteban lembra que, nos ensaios da turnê, ele mesmo às vezes sabia partes das músicas melhor do que o próprio Humberto - algo que o surpreendia e divertia. "Às vezes eu chegava lá sabendo mais coisas que ele das músicas. Tipo: 'Alemão, você tá errado.'", recorda. Em outra ocasião, antes de uma entrevista numa rádio de Porto Alegre, Humberto o chamou em casa: "Passa aqui antes, que tu sabe os acordes melhor que eu, pra eu lembrar de umas coisas." O carinho é evidente: "Amo, amo o Humberto. Sou apaixonado por ele."

Mas foi na estrada que Esteban começou a perceber um fenômeno que o intrigou. O público mudava radicalmente de um lugar para o outro - e a reação ao repertório de Humberto também. Ele próprio influenciou algumas escolhas de setlist, pedindo músicas que jamais imaginou ver Gessinger tocar de novo. "Consegui botar 'Violência Travestida'… consegui botar 'Freud Flintstone'." O problema? "Infelizmente durou só um show, porque a reação do público, que vai no show esperando só hit…"
Ao avaliar essas diferentes recepções, Esteban chegou à conclusão que define com todas as letras: "Para mim, o Humberto é muito mais fã em Minas Gerais, São Paulo e Ceará do que no Rio Grande do Sul."
A afirmação veio enquanto ele relatava o quanto o público do sul muitas vezes parece menos caloroso com artistas locais - algo que contrasta totalmente com suas experiências em outros estados (e até países). Ele lembra de tocar em Pato Branco e ver até o figurino da banda replicado por músicos locais: "Os caras estavam imitando até o estilo de roupa de vocês nas antigas."
Já fora do Brasil, viveu cenas que nunca esqueceu, especialmente na Argentina. Tocou até em cassino - cheio, embora ninguém o conhecesse - e se impressionou com a educação da plateia. "Todo mundo quieto. Quieto no sentido de educação. Ninguém conversava." Depois do show, um fã se aproximou e disse: "Lindo, mas esquece tua música em espanhol. A gente quer te ver cantar em português." Isso o marcou profundamente: "Claro, esse cara tem razão. O que eu tô fazendo tentando cantar na língua deles? Se eles gostarem, vai ser do que eu faço na minha."
Essa comparação o levou a refletir sobre como o músico às vezes é tratado no próprio país. "Tu diz que é músico, e a resposta é sempre a mesma: 'Tá, mas tu trabalha com quê?'", lamenta. Ele conta que, no exterior, basta dizer que é músico para ganhar respeito imediato; no Brasil, muitas vezes, o músico só passa a ter valor se estiver na televisão. "Os caras pensam que se tu não tá no Luciano Huck, tu é um falido."
Confira a entrevista completa abaixo.
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