O dia que David Gilmour odiou a si próprio: "Não gostei dos executivos da Volkswagen"
Por Gustavo Maiato
Postado em 12 de junho de 2025
A trajetória de David Gilmour no Pink Floyd é marcada por escolhas artísticas ousadas e disputas internas intensas. Mesmo após a saída de Roger Waters, ele seguiu em frente com o legado da banda. No entanto, como revelou em entrevista resgatada por Tim Coffman, em reportagem publicada pela revista britânica Far Out Magazine, houve um momento em que Gilmour sentiu que havia ultrapassado um limite.
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A situação aconteceu durante a turnê do disco "The Division Bell" (1994), quando a banda decidiu tocar o clássico "The Dark Side of the Moon" na íntegra — performance que depois resultaria no álbum e filme Pulse. Para bancar parte da estrutura grandiosa da turnê, o Pink Floyd fechou uma parceria com a montadora Volkswagen, o que logo gerou incômodo em Gilmour.
"Confesso que não pensei totalmente nas consequências e fiquei desconfortável com isso", afirmou o músico. "Não gostei de encontrar os executivos da Volkswagen. Eles não eram fãs meus. Não quero que digam que têm ligação com o Pink Floyd, que fazem parte do nosso sucesso."
O guitarrista foi ainda mais enfático: "Não faremos isso de novo. Não gostei e doei todo o dinheiro que recebi com isso para a caridade. Devemos permanecer orgulhosamente independentes."
A crítica de Gilmour ecoa um sentimento de integridade artística que sempre permeou sua carreira — mesmo diante da grandiosidade do Pink Floyd. Ainda assim, o patrocínio da Volkswagen não pegou bem, especialmente para um público que via na banda um espírito contestador e livre de interesses corporativos. Como observa Coffman na reportagem, "foi um contraste difícil para uma banda que projetava uma imagem de homem comum".
A reação de Roger Waters, embora indireta, também é mencionada. Segundo Coffman, o episódio serviu para reforçar a crítica do ex-baixista de que o Pink Floyd, sem ele, se tornou movido pelo lucro.
Naquele período, Gilmour buscava reafirmar o grupo como uma força criativa, e The Division Bell — apesar de subestimado por parte do público — apresentou uma coesão lírica e conceitual que surpreendeu. Faixas como "High Hopes" simbolizavam não apenas o fim de um ciclo, mas também a tentativa de encerrar com dignidade a história da banda.
Mesmo com a pressão para manter o espetáculo, o episódio com a Volkswagen serviu como alerta. A partir dali, Gilmour deixou claro que seus projetos futuros teriam motivações mais puras, como o single beneficente "Hey Hey Rise Up" ou os discos solo "On an Island" e "Rattle That Lock". "Ele passou anos moldando sua voz — tanto na guitarra quanto nas letras — e não estava disposto a abrir mão disso por um grande cheque, escreve Coffman.
Pink Floyd e Volkswagen
A curiosa parceria entre a banda de David Gilmour e a marca de carros alemã resultou no lançamento do Golf Pink Floyd, vendido apenas na Europa. O carro trazia som de alta qualidade, motor ecológico e elementos visuais da banda. Anos depois, David Gilmour revelou arrependimento pela ação publicitária e doou o dinheiro à caridade. Nos EUA, onde o modelo não foi lançado, um fã recriou a versão por conta própria após 14 anos reunindo itens personalizados. Mesmo com a polêmica, o Golf Pink Floyd tornou-se item de colecionador e um marco incomum entre música e marketing.
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