Por que Loro Jones deixou o Capital Inicial no auge do sucesso, segundo o próprio
Por Gustavo Maiato
Postado em 11 de junho de 2025
Loro Jones, guitarrista fundador do Capital Inicial, surpreendeu fãs ao abandonar a banda no ápice de sua fama. Em vídeo resgatado por Júlio Ettore, o músico explica, com detalhes, os motivos que o levaram a tomar essa decisão que chocou o meio musical na época.
Segundo Loro, em entrevistas resgatadas no vídeo, o primeiro passo da crise ocorreu em 1996, quando atravessavam um momento crítico: "O Capital estava no fundo do poço. Eu dei uma pirada, sumir mesmo. Mudei pra Brasília e não contei pra ninguém."
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Ele revela que chegou a tocar sozinho em alguns shows, usando apenas uma guitarra antiga e um pedal, sem técnica avançada. "Fiz o primeiro show sozinho […] toquei guitarra, velho, com pedal, sem saber tocar."
O clima entre os membros da banda piorou ainda mais em 1997, considerada por Loro como o pior ano da década. "A gente fez meia dúzia de shows numa situação deplorável." Apesar do colapso, o retorno à formação clássica só aconteceu por iniciativa dele. Vale lembrar que Dinho havia saído em 1994 e dado lugar ao vocalista Murilo.
Durante um encontro informal, Loro abordou Dinho e os irmãos Lemos na casa do vocalista. "Eu apertei a campainha… ‘Irmão, você não quer voltar pra banda?’ Ele disse que sim." Na reunião que se seguiu, o retorno foi selado — embora entrasse na história a substituição do vocalista Murilo. "O acordo foi selado. Murilo foi dispensado."
Loro Jones e Capital Inicial
Sua missão parecia cumprida, mas a fase mais intensa do sucesso viria apenas nos anos 2000, com o "Acústico MTV", estratégia que rejuveneceu a carreira do grupo. Porém, a vida intensa de shows pesou: "Foram 18 shows por mês. A convivência intensa, contando com viagens… foi demais."
O desgaste emocional pesou tanto quanto o profissional. Em 2002, Louro comunicou sua saída com franqueza em Porto Alegre: "Galera, tô fora, não aguento mais. Tô precisando ver meu filho, criar meu filho."
Em entrevista ao Correio Braziliense, destacou o motivo da decisão: "Estou com 40 anos e só agora percebi que o dinheiro cala a boca das pessoas. Isso me faz mal […] por que não diminuir a carga de trabalho?"
A convivência intensa, viagens e falta de tempo em família levaram Louro a uma decisão ousada, mas bem fundamentada. "O que me encheu o saco foi trabalhar de segunda a segunda sem ver meu filho ou tomar uma cerveja." A repressão à sua saída pela produção revela a tensão existente: "Eles ligavam: ‘tem ensaio amanhã’. E eu: ‘Não, vocês não entenderam, eu saí.’"
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