A banda de rock nacional dos anos 1980 que queda do Muro de Berlim fez cantor decidir sair
Por Gustavo Maiato
Postado em 18 de setembro de 2025
O fim dos anos 1980 foi um período de profundas transformações no mundo e na música. Enquanto o rock brasileiro vivia a consolidação de nomes como Legião Urbana, Titãs, Barão Vermelho e Capital Inicial, do outro lado do Atlântico a história se reescrevia com a queda do Muro de Berlim, em 1989. O episódio marcou uma geração inteira - e até mesmo influenciou os rumos de uma das maiores bandas do Brasil.
Quem revelou isso foi Dinho Ouro Preto, vocalista do Capital Inicial, em entrevista ao podcast Desculpincomodar. Ele contou que uma viagem a Berlim, no réveillon de 1992 para 1993, foi determinante para que ele decidisse deixar o grupo. O impacto foi tão grande que ele ainda guarda vividamente as imagens daquele momento.
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"O muro cai em 89, 90, e o álbum 'Todos os Lados' é de 90, um pouco antes. Mas, em Berlim, as baladas todas aconteciam do lado oriental. O muro ainda estava lá, partes dele continuavam de pé. Tinha pedaços deixados como estavam no fim da guerra, com buracos de bala. Algumas dessas imagens estão até na capa do Art Baby, no YouTube. As festas todas eram nos escombros, do lado de lá."
Dinho contou que aquele contraste cultural foi um choque pessoal. "Eu lembro de ver aquela cena, aquele povo, e pensar: 'Nossa, como eu sou careta, como eu sou conservador. O que aconteceu comigo? Eu não era assim'. Aí volto para o Brasil com dreads, faço piercing, e digo: 'Quer saber? Quero experimentar outras coisas'. Foi aí que saí do Capital."
A decisão de se afastar da banda levou o cantor a formar a Vertigo, grupo com sonoridade mais próxima do grunge, lembrando nomes como Alice in Chains. O projeto rendeu um disco em 1994, mas não alcançou o sucesso esperado. Em entrevistas posteriores, o próprio Dinho admitiu que foi um fracasso de vendas e descreveu aquele período como "o pior da sua vida", em parte devido ao envolvimento com drogas psicodélicas como o LSD.
O Capital Inicial sem Dinho
A saída de Dinho em 1993 deixou o Capital Inicial em uma situação delicada. Sem o vocalista que era a cara da banda, o grupo convidou Murilo Lima para assumir os vocais. Em 1995, eles chegaram a lançar um álbum, mas sem o suporte de uma grande gravadora e sem a mesma força de público, a nova fase passou quase despercebida.
Enquanto isso, Dinho buscava caminhos alternativos na música, inclusive participando de colaborações com artistas como o produtor iugoslavo Suba, morto tragicamente em 1999. Apesar das tentativas, o vocalista só reencontraria o rumo quando retornou ao Capital no fim da década.
Esse retorno culminou em 2000 com o estrondoso sucesso do "Acústico MTV", que não apenas revitalizou a banda, mas também consolidou de vez Dinho como uma das figuras mais icônicas do rock brasileiro. A experiência em Berlim, no entanto, continua sendo lembrada por ele como o estopim de uma das fases mais arriscadas - e transformadoras - de sua carreira.
Confira a entrevista completa abaixo.
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