A única treta que rolou entre Dinho Ouro Preto e seu substituto no Capital Inicial
Por Gustavo Maiato
Postado em 29 de setembro de 2025
O ano era 1993 quando o Capital Inicial, um dos nomes mais importantes do rock brasileiro, precisou de um novo vocalista. Dinho Ouro Preto havia deixado a banda e o posto foi assumido por Murilo Lima, que acabou passando cinco anos à frente do microfone. Foram mais de 250 shows realizados em todo o Brasil, além da gravação do disco "Rua 47" (1994) e de um álbum ao vivo lançado em 1996. "Foi um casamento de cinco anos, muito intenso. Fizemos turnês pelo país inteiro, com direito a shows lotados e muita estrada", recordou Murilo em entrevista ao canal CutMaster.
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Apesar da responsabilidade de ocupar a vaga deixada por um frontman carismático, Murilo se destacou e trouxe nova energia ao grupo. "A gente estava vivendo um momento independente, correndo atrás por conta própria, mas conseguimos vender mais de 50 mil cópias do nosso disco ao vivo, o que era muito expressivo para aquele mercado", contou. A fase, no entanto, também foi marcada por dificuldades. Problemas pessoais de integrantes e mudanças de formação acabaram criando incertezas dentro da banda.

Foi nesse cenário que surgiu a proposta de retorno de Dinho Ouro Preto ao Capital Inicial. Segundo Murilo, a ideia foi apresentada por um empresário de Curitiba, o que gerou desconforto interno. "Quando fiquei sabendo, falei: 'se vocês forem nessa reunião, eu tô fora'. E foi isso que aconteceu. Eles foram e eu tirei meu time de campo", relembrou. Pouco tempo depois, a volta de Dinho se concretizou, e a história do grupo tomou novos rumos, principalmente após o sucesso estrondoso do "Acústico MTV", lançado em 2000.
Murilo Lima e o Capital Inicial
Mesmo assim, Murilo garante que não houve rivalidade direta com Dinho. "Eu nunca fui amigo dele, mas sempre o respeitei. Ele também sempre respeitou minha passagem pelo Capital. Inclusive, ele é muito amigo do meu irmão, o Bozo. Nunca rolou problema pessoal", destacou. No entanto, um episódio isolado acabou gerando ruído entre os dois.
A situação ocorreu em uma entrevista de Murilo a um jornalista de Maringá, já na época de seu trabalho solo. Ao falar sobre as diferenças entre sua fase no Capital e o momento vivido pela banda com Dinho, ele disse que na sua época o público era mais adulto e segmentado, enquanto o grupo, já com o vocalista original de volta, atingia uma audiência muito mais ampla, incluindo adolescentes. "O que eu falei era enaltecendo o Capital de hoje, dizendo que era muito maior. Mas o jornalista tirou do contexto", explicou.
Pouco depois, em outra entrevista, Dinho acabou reagindo à declaração, interpretada de forma distorcida. Segundo Murilo, a resposta de Dinho soou como se dissesse que o único momento de glória de sua vida havia sido com o Capital Inicial. "Olha, foi o momento de maior sucesso, sem dúvida. Mas glória é acordar e olhar para os meus filhos, é poder tocar em lugares cheios com meu trabalho. Isso é glória. O Capital foi importante, mas não foi a única coisa", rebateu.
Apesar do mal-estar, Murilo garante que o episódio nunca passou de uma provocação criada pelo próprio jornalista. "Isso faz 24 anos. Foi um momento pequeno, que só existiu porque alguém quis botar lenha na fogueira. Nunca tive treta direta com o Dinho. Respeito o cara, e acho que ele também me respeita", afirmou.
Com o passar do tempo, a relação com os ex-colegas foi retomada de forma natural. Murilo revelou que acompanhou os ensaios do "Acústico MTV" e voltou a se aproximar dos músicos. Ainda assim, nunca foi convidado para participações especiais com o grupo. "Nunca me chamaram para dar uma canja nesses últimos 24 anos. Mas continuo amigo dos caras até hoje", disse.
Hoje, Murilo olha para trás com gratidão pela trajetória. "Foi uma fase intensa, que deu sobrevida ao Capital e me abriu portas para seguir meu caminho. A história foi exatamente essa. No fundo, não houve treta, só um mal-entendido", concluiu.
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