A banda ícone do grunge que para Chris Cornell não pertencia ao movimento
Por Bruce William
Postado em 08 de junho de 2025
Chris Cornell não era do tipo que apontava o dedo gratuitamente, mas também não deixava passar batido quando percebia algo fora de lugar. Mesmo inserido no epicentro do grunge com o Soundgarden, ele sabia que nem todo mundo que usava camisa de flanela e cantava sobre angústias existenciais fazia parte da essência da cena. E entre os quatro grandes nomes do movimento, ele via um certo descompasso em relação ao Alice in Chains.
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A questão não era o talento. A sonoridade densa e arrastada de "Dirt" deixava clara a conexão com o clima sombrio que tomou conta da música dos anos noventa. Mas, para Cornell, a origem da banda denunciava um caminho diferente. Em uma conversa com a Spin, ele comentou: "O Alice in Chains eram garotos que soavam como o Ratt, e de repente viram o que estava acontecendo e incorporaram isso. Eles foram realmente inspirados [pelo grunge], o que é legal, mas não era a mesma coisa."
De fato, antes de se alinharem à onda grunge, Layne Staley e Jerry Cantrell vinham de tentativas frustradas de emplacar bandas com visual e som ligados ao hard rock e hair metal, relembra a Far Out. Quando perceberam a virada que se desenhava em Seattle, ajustaram o rumo. O resultado foi potente, e o sucesso veio rápido — mas, segundo Cornell, partindo de uma base distinta da de Nirvana, Pearl Jam e Soundgarden.
Mesmo assim, a crítica não significava rejeição pessoal. Chris Cornell chegou a participar da faixa "Right Turn", do EP SAP, cantando ao lado de Staley e Mark Arm, do Mudhoney. Ele não parecia ter qualquer mágoa com os colegas — apenas destacava que o ponto de partida do Alice in Chains era diferente. Segundo ele, havia uma diferença sutil entre ser parte do movimento e ser influenciado por ele depois de sua consolidação.
Curiosamente, essa origem distinta pode ter contribuído para o diferencial da banda. Ao incorporar elementos do metal e manter uma abordagem mais técnica, o Alice in Chains criou um som que, embora nem sempre 100% grunge na definição mais purista, se tornou essencial para moldar a estética sombria e introspectiva que dominaria o rock nos anos noventa. E foi justamente essa fusão que acabou fazendo com que fossem vistos como um dos pilares do estilo — mesmo que, para Cornell, tivessem chego já com o portão meio fechado.
No fim, o que vale é que a banda encontrou seu espaço com autenticidade. Se o rótulo "grunge" cabia perfeitamente ou não, é quase irrelevante hoje. O impacto está aí: visceral, melancólico e atemporal. E isso, com ou sem selo de autenticidade, ninguém tira deles.
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