Os artistas criticados e elogiados por Regis Tadeu em visita à Galeria do Rock
Por Gustavo Maiato
Postado em 02 de junho de 2025
No mais recente episódio do podcast Inteligência Ltda, o crítico musical Regis Tadeu percorreu os corredores da tradicional Galeria do Rock, no centro de São Paulo, revisitando memórias pessoais e comentando clássicos da música mundial — sempre com sua conhecida verve afiada e nenhuma preocupação em agradar.
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Gravado entre lojas de discos, vitrines de camisetas e prateleiras de vinis raros, o episódio teve início com uma breve apresentação do local, que Regis definiu como "lendário" e "fundamental para quem quis comprar discos na vida". Aos 18 anos, em 1978, ele esteve na Galeria pela primeira vez e, desde então, manteve o hábito de visitar o local aos sábados em busca de LPs e CDs difíceis de encontrar. "É um dos meus segundos lares", resumiu, com tom nostálgico.
Durante a gravação, Regis fez questão de mostrar algumas de suas descobertas. Entre os destaques, apontou uma edição nacional raríssima do único disco lançado pela banda Armageddon, de 1975, e recomendou a audição: "Se você tem seu serviço de streaming, procure ouvir isso aqui. Você não vai se arrepender."
Outra recomendação enfática foi o álbum "Violator", do Depeche Mode. "Meu favorito da banda. Um clássico do pop sintetizado", disse. O disco, lançado em 1990, é referência no gênero e responsável por hits como "Personal Jesus", música usada como vinheta de abertura no podcast apresentado por Rogério Vilela.
Regis Tadeu e a galeria do rock
O passeio entre os vinis serviu também para o crítico destilar sua conhecida sinceridade — com direito a farpas dirigidas aos fãs dos Engenheiros do Hawaii. "Não é ruim. É péssimo", declarou, ao rechaçar qualquer tentativa de reabilitação da banda gaúcha. O bom humor se manteve ao longo do episódio, mesmo nos momentos mais duros. "Eu tô velho demais pra ter ansiedade. Saio à caça de discos que eu gosto e que eu não tenho. É uma peregrinação sem fim."
Durante o trajeto, Regis revisitou discos da new wave, como os da banda inglesa Classix Nouveaux, e do punk britânico, como "London Calling", do The Clash. "Esse disco mostrou que o punk era mais do que três acordes rudimentares. É um negócio absolutamente sensacional", afirmou. Ele também exaltou o trabalho dos Stray Cats, banda que resgatou o rockabilly dos anos 1950, e recordou com entusiasmo o show que viu da Brian Setzer Orchestra em Boston: "Saí do show com vontade de comprar um terno de cetim vermelho e um sapato zebrado."
Em meio aos elogios à discografia do Elton John — a quem ele atribuiu uma "obra irrepreensível" — e à sua parceria de décadas com o letrista Bernie Taupin, Tadeu também comentou a cinebiografia do artista britânico. "Gostei muito porque não é chapa-branca. Ele mostra os podres ali. Isso é que é legal", afirmou, antes de concluir que tiraria "fácil" o chapéu para o cantor.
Ao passar por um exemplar do disco de estreia dos Secos & Molhados, não economizou nos adjetivos. "Isso aqui é um absurdo. Talvez um dos cinco melhores discos de estreia da música brasileira em todos os tempos", declarou. Também fez uma ressalva sobre a recente cinebiografia do grupo, que considerou relevante, embora com "licenças poéticas e exageros".
Entre lembranças e descobertas, a visita serviu para reafirmar o papel da Galeria do Rock como ponto de encontro entre gerações de fãs e colecionadores. Régis lembrou que, nos anos 1980, o centro de São Paulo era mais civilizado e atraía visitantes de toda a cidade. "Antigamente, loja de disco era uma prateleira dentro de papelaria. Quando você vinha aqui e encontrava três ou quatro lojas só de discos, com acervos incríveis, voltava toda semana atrás de novidade."
Mesmo com as mudanças na cidade e o fechamento de várias lojas após a pandemia, o crítico acredita que a Galeria mantém seu valor simbólico. Para ele, o prazer de encontrar um disco perdido continua sendo insubstituível. "Claro que existem outros lugares, mas a Galeria é o coração disso tudo."
Confira episódio completo abaixo.
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