A primeira banda que usou guitarra "para valer" no rock brasileiro, segundo Dinho
Por Gustavo Maiato
Postado em 19 de setembro de 2025
Em entrevista ao podcast Desculpincomodar, o vocalista do Capital Inicial, Dinho Ouro Preto, revisitou os primeiros anos do rock brasileiro e fez uma análise crítica sobre as produções da década de 1980. Para ele, os discos iniciais de bandas como Legião Urbana, Plebe Rude, Titãs e o próprio Capital sofriam de um problema em comum: a falta de peso e qualidade na gravação dos instrumentos.
"É uma pena, porque acho que as composições são boas e o som é ruim", afirmou Dinho, ao lembrar do disco de estreia do Capital Inicial - autoinitulado. Ele contou que o álbum foi gravado com um técnico que "não tinha relação com rock" e vinha da MPB. "Eles não conseguiam entender qual era a nossa ideia. Então o som é ruim. Não tem guitarra, não tem bateria, não tem pegada. Mesmo assim, ele conseguiu se destacar."
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O cantor revelou que até hoje gostaria de refazer ou remixar esse trabalho: "Se eu pudesse, eu remixava. Acho uma pena que ele tenha um som tão precário."
Dinho e Raimundos
O vocalista também destacou que essa limitação não foi exclusiva do Capital. "Teria que perguntar pro Ira! ou pros Titãs se eles também têm essa percepção. Quando eles fazem o 'Cabeça Dinossauro', é uma surpresa para todo mundo. Você fala: 'Uou, Liminha! Olha aí as guitarras'."
Segundo Dinho, a verdadeira virada só aconteceu nos anos 1990. "Acho que você só vai ver guitarra para valer dentro do rock brasileiro quando aparecem os Raimundos. Ali sim", afirmou.
Produzido por Carlos Eduardo Miranda, o álbum de estreia dos Raimundos – também autointitulado – foi, para ele, um marco sonoro. "Você ouve pela primeira vez e fala: 'Ufa, nossa, cara, que legal. Finalmente guitarras e baterias gravadas do jeito correto'. Eu lembro de ouvir e ficar: 'Uou, caraca, que que é isso?'."
O vocalista citou também o Rappa e o Charlie Brown Jr. como parte dessa geração que conseguiu alcançar um som mais potente: "Eles conseguem um som que a gente não conseguiu."
Ao contrário do que muitos poderiam pensar, Dinho não credita a evolução apenas ao avanço tecnológico: "Não é a tecnologia, é a pessoa que tá atrás dos botões. Viva o know-how, viva o técnico."
Ele ainda elogiou o álbum "O Concreto Já Rachou", da Plebe Rude, produzido pelo guitarrista Philippe Viana: "Ali você tem uma valorização da guitarra."
Assista a entrevista completa abaixo.
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