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O famoso solo que David Gilmour jamais começa diferente; "Parece tolice não fazer isso!"

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Postado em 19 de outubro de 2025

Quando David Gilmour entrou no Pink Floyd, ninguém esperava que ele reproduzisse Syd Barrett. A banda saiu do psicodelismo solto e passou a organizar o show como narrativa, com luzes e projeções. Nesse ambiente mais "amarrado", Gilmour refinou melodias que o público aprendeu a reconhecer de primeira.

Mesmo assim, ele não virou escravo do estúdio. Ao vivo, Gilmour costuma variar: estica uma frase aqui, encurta outra ali, muda a intensidade. O arranjo respira sozinho. Só que existe uma fronteira que ele próprio prefere não cruzar, e ela aparece num ponto específico do repertório. Em "Comfortably Numb", o solo de encerramento funciona como o gatilho dramático da cena. É a hora do personagem Pink ser arrastado ao palco sob efeito de drogas, e a guitarra precisa "falar" isso logo no primeiro impacto. Por isso, a abertura do solo virou uma âncora.

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Foto: Polly Samson
Foto: Polly Samson

Gilmour resumiu assim ao Music Radar: "Nem sempre consigo [tocar como na versão do disco]. Mas, no começo do solo final de 'Comfortably Numb', há aquela nota na sétima casa da corda G, um harmônico forte. Eu sempre tento iniciar o solo com esse som e tocar aquela primeira linha. Parece tolice não fazer isso!"

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Ou seja: o resto pode mudar - e sempre muda - dependendo da noite. Aquele ataque inicial, não. Sem ele, o público perde o sinal imediato da cena e a narrativa musical perde o tom que dá sentido ao que vem depois. É o mesmo princípio do PING que Richard Wright usava para abrir "Echoes": um som que não é só bonito, é funcional. Em "Comfortably Numb", a função é avisar que a queda começou. E Gilmour, que sabe onde pode mexer sem derrubar o todo, escolhe não mexer ali.

Na prática, o equilíbrio é exatamente esse: liberdade dentro de certos marcos. Gilmour improvisa, respira, altera caminhos - mas aquela primeira nota do solo final permanece intocada. É o ponto fixo que segura a história quando o resto da música se move.

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Sobre Bruce William

Quando Socram chegou no Whiplash.net era tudo mato, JPA lhe entregou uma foice e disse "go ahead!". Usou vários nomes, chegou a hora do "verdadeiro". Nunca teve pretensão de se dizer jornalista, no máximo historiador do rock, já que é formado na área. Continua apaixonado por uma Fuchsbau, que fica mais linda a cada dia que passa ♥. Na foto com a Melody, que já virou estrelinha...
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