A banda que Ritchie Blackmore se envergonha de ter feito parte; "Você aprende com os erros"
Por Bruce William
Postado em 26 de novembro de 2025
Quem vê Ritchie Blackmore de preto, quase imóvel, com a Stratocaster nas mãos, tende a associar a imagem a alguém que nunca precisou de fantasia para chamar atenção. O guitarrista sempre passou a impressão de que bastava plugar o amplificador, tocar e deixar que o som resolvesse tudo. Essa postura mais seca acabou virando marca registrada nas fases clássicas do Deep Purple e do Rainbow.
O curioso é que o próprio Blackmore admite que nem sempre foi assim. No começo de carreira, ainda adolescente, ele topou participar de experiências de palco que hoje considera constrangedoras. Ele mesmo reconhece que passou por bandas em que o figurino e a encenação falavam mais alto que a música, a ponto de olhar para trás e sentir vergonha do que vestia - e de como aparecia diante do público.

Muito antes disso, a cabeça dele já estava cheia de ideias tiradas da música erudita. Blackmore conta que o interesse por clássicos o levou a tentar juntar blues, rock e elementos de composição mais rígidos em um estilo próprio. Uma das fagulhas veio quando ele tinha 15 anos, ao ver um grupo chamado Nero and the Gladiators, que fazia versões rock de peças clássicas usando togas no palco. Ele chegou a dizer que, por incrível que pareça, aquilo funcionava e até influenciou a maneira como pensaria timbres e climas anos depois.
O problema é que nem todo experimento visual rende uma boa lembrança. Em falas resgatadas pela Far Out, Blackmore comentou que chegou a se vestir de mulher em algumas bandas do começo, e preferiu nem entrar em detalhes. A história que ele costuma contar com mais clareza envolve um grupo chamado The Savages. A proposta era que os músicos surgissem no meio da plateia, fantasiados de "selvagens", e corressem até o palco. "Nós costumávamos correr para o palco vindos da plateia como selvagens, nós nos chamávamos The Savages", recordou. "Eu estava vestido com uma tanga, e era muito constrangedor porque, naquela época, eu era muito magro e muito ossudo. O resto da banda era todo forte, tipo fisiculturista, então a gente corria para o palco e eu sempre me sentia envergonhado porque tinha aquela roupinha pequena. Mas você aprende com os seus erros."
Com o tempo, a lição ficou clara para ele. Em vez de depender de choque visual ou de fantasia, Blackmore preferiu reduzir tudo ao essencial e deixar a guitarra comandar. É esse músico mais contido que acabou chamando a atenção de gente como Gene Simmons, do Kiss, que sempre foi fã da presença de palco do britânico. Segundo o baixista, Ritchie não precisava de muita coisa além do preto básico e da Strat para prender o olhar do público. O guitarrista que hoje parece avesso a exageros, portanto, é resultado direto daquela fase em que ele correu de tanga pela plateia - e decidiu que nunca mais queria repetir esse tipo de "erro".
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