A banda nacional que Caetano Veloso se empolgou e achou que fosse britânica
Por Gustavo Maiato
Postado em 03 de novembro de 2025
Em meados dos anos 1980, Caetano Veloso vivia um momento de renovação artística. Às vésperas de completar 44 anos, o baiano conversou longamente com a revista Bizz, na edição de novembro de 1986, sobre o fim de seu projeto "voz e violão" - que rendera o disco "Totalmente Demais" - e sobre os novos ventos que sopravam no rock brasileiro. Entre reflexões sobre carreira, televisão e cinema, Caetano demonstrava entusiasmo com a geração de bandas que tomava conta das rádios e palcos do país.
Ao comentar a cena do rock nacional, o cantor destacou nomes como Léo Jaime, Leoni (Kid Abelha), Ultraje a Rigor, Titãs, RPM e Blitz, mas foi ao falar sobre Os Paralamas do Sucesso que seu entusiasmo se tornou mais evidente. "Vi um show deles no Canecão e fiquei empolgadíssimo. Foi uma confirmação do talento deles. O Herbert Vianna canta e parece um cantor inglês, um cantor de pop britânico. Parece o Paul Weller, do Style Council. Acho o Herbert Vianna uma grande figura e um grande cantor", declarou.
Paralamas Do Sucesso - + Novidades

Caetano Veloso e Paralamas do Sucesso
Caetano chegou a afirmar que, ao ouvir os Paralamas pela primeira vez, pensou tratar-se de uma banda estrangeira. O vocalista e guitarrista Herbert Vianna, segundo ele, tinha timbre e presença de palco que remetiam ao pop britânico contemporâneo, numa época em que o rock brasileiro buscava firmar uma identidade própria. "Parecia um cantor britânico. Um grande cantor mesmo", reforçou o baiano.
A admiração de Caetano não se limitava à qualidade técnica. O artista via nos Paralamas uma expressão moderna do Brasil urbano dos anos 80, conectada com o som que vinha do Reino Unido, mas sem perder o sotaque local. Essa postura simbolizava o amadurecimento do rock nacional - uma música feita aqui, mas com a mesma ambição estética das bandas internacionais que inspiravam seus criadores.
Na mesma década, Caetano também demonstraria entusiasmo por outros nomes fora do eixo Rio–São Paulo. Em entrevista à Bizz de março de 1986, ele destacou a força da cena baiana e revelou ser fã do Camisa de Vênus, grupo de Salvador liderado por Marcelo Nova, cujo som agressivo e debochado contrastava com o tradicionalismo musical da capital baiana. "Era um fenômeno local muito forte já há alguns anos e eu era fã do Camisa. Ninguém conhecia aqui, mas eu ficava falando na imprensa, dando um toque de vez em quando. Sou fã até hoje", afirmou.
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