Zakk Wylde e David Gilmour discordam sobre o que poderia ter estragado "Dark Side"
Por Gustavo Maiato
Postado em 11 de fevereiro de 2026
A discussão sobre tecnologia em estúdio sempre divide gerações no rock. Para alguns músicos, recursos modernos facilitaram processos e ampliaram possibilidades criativas; para outros, tiraram justamente o elemento humano que ajudou a construir álbuns históricos. É nesse embate que Zakk Wylde voltou a criticar o uso excessivo do Pro Tools, citando inclusive um dos discos mais celebrados de todos os tempos.
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Em entrevista recente à Metal Hammer, o guitarrista do Black Label Society e colaborador de longa data de Ozzy Osbourne afirmou que álbuns clássicos do rock simplesmente não soariam da mesma forma se tivessem sido gravados com os recursos digitais atuais.
"Quando você realmente escuta os discos antigos, como 'Sgt. Pepper's', os álbuns do Jimi Hendrix, o primeiro do Sabbath ou do Zeppelin, você pensa: 'Cara, imagine se eles tivessem o Pro Tools de hoje'", disse Wylde. Para ele, o excesso de opções teria sido prejudicial: "Esses álbuns não soariam como soam. Teriam sido arruinados".
O guitarrista foi ainda mais específico ao mencionar The Dark Side of the Moon, do Pink Floyd. "'Dark Side Of The Moon' não teria soado como soa se tivesse os recursos de hoje", afirmou. Segundo Wylde, boa parte da genialidade desses discos nasceu de limitações técnicas e de "acasos felizes" que obrigavam os músicos a serem criativos.
Para ilustrar o raciocínio, ele usou uma metáfora simples: "Se eu te desse apenas um giz de cera vermelho e um branco, você teria que misturar os dois para criar o rosa. Você cria algo justamente porque não tem todas as opções prontas".
Curiosamente, o principal responsável pelas guitarras de Dark Side of the Moon enxerga a questão de forma diferente. David Gilmour já declarou publicamente que é fã do Pro Tools - ao menos na maneira como ele próprio utiliza a ferramenta atualmente.
Em entrevista concedida em 2024, Gilmour explicou: "Antigamente, você precisava refazer a mixagem inteira, ensaiar movimentos nos faders, às vezes com três pessoas na mesa de som ao mesmo tempo". Para ele, o software trouxe praticidade: "Agora, com o Pro Tools, é ótimo. O processo de fazer minhas demos é enormemente facilitado por isso".
O guitarrista, no entanto, fez questão de ressaltar que não usa o programa de forma indiscriminada. "Eu não uso muito automação no Pro Tools, nem MIDI. Gosto de cortar trechos e ajustar os níveis manualmente. Assim, sempre posso voltar atrás", explicou.
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