Os álbuns do Pink Floyd que Roger Waters chamou de "pretensiosos"
Por Bruce William
Postado em 17 de fevereiro de 2026
Roger Waters já falou algumas vezes sobre o começo do Pink Floyd com um tipo de franqueza que costuma incomodar fãs mais saudosistas. Quando o assunto era o "The Piper at the Gates of Dawn" (1967), ele foi bastante contundente, em fala para a Q Magazine: "Eu não quero voltar para aqueles tempos de jeito nenhum. Não tinha nada de 'grandioso' nisso. A gente era risível. A gente era inútil. A gente não sabia tocar, então tinha que fazer alguma coisa estúpida e 'experimental'." (Far Out / Pink Floyd & Company)

A crítica dele é sobre como ele enxerga aquela fase da banda, com o grupo ainda se acertando, tentando preencher lacunas na base do excesso de experimentação. E isso bate com o jeito como ele descreve os próprios limites do Pink Floyd iniciante, antes de a banda encontrar o caminho que depois ficaria associado aos grandes álbuns conceituais.
Só que, quando ele usa a palavra "pretensioso", o alvo principal nem é o disco de estreia. Waters aponta diretamente para "The Dark Side of the Moon" (1973) e "The Wall" (1979), reconhecendo que ali existia, sim, uma "pretensão à grandeza" embutida no projeto: "Talvez minhas pretensões à grandeza sejam mal fundamentadas. Porém, de alguma forma, 'Dark Side of the Moon' e 'The Wall' eram ambos pretensiosos e grandiosos na época...", disse, conforme publicado na Far Out.
Waters trata o rótulo como um risco inevitável quando você quer fazer algo grande, ambicioso e amarrado como obra "de álbum", não só como coleção de músicas. E, quando a conversa chega no medo de virar refém da opinião alheia, ele corta de forma abrupta: "Se as pessoas quiserem me chamar de pretensioso e ambicioso demais, acredite, elas não serão as primeiras e não serão as últimas... fodam-se elas." (Pink Floyd & Company)
Na mesma resposta, ele também coloca uma espécie de "teste do tempo" na mesa: "...um deles, 20 anos depois, e o outro, 12 anos depois, continuam de pé, são boas obras. Então eu não posso me preocupar com isso." Ou seja: ele admite o traço grandioso, admite a chance de soar pretensioso, e sustenta a aposta pelo resultado.
No meio desse raciocínio, a fala dele acaba revelando algo bem Waters: ele sabe que construir "mundos" em torno de discos pode soar grande demais, mas também sabe que era exatamente esse o objetivo. A provocação dele não é "fui pretensioso sem querer"; é "eu fiz e não vou deixar isso me paralisar". E aí dá pra entender por que ele escolhe justamente "Dark Side" e "The Wall" como exemplo: são os álbuns em que a ideia de "obra total" está no centro de tudo: tema, narrativa, produção e impacto.
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