"O Raul, realmente é pobre também assim, é tosco"; Guilherme Arantes entende fala de Ed Motta
Por Bruce William
Postado em 05 de fevereiro de 2026
Nem toda treta musical nasce de uma desavença direta: às vezes ela reaparece "por tabela", num papo de estúdio, harmonias e crítica musical. Foi o que rolou num corte do podcast do Clemente Magalhães (Corredor 5, no YouTube), em que Guilherme Arantes comenta como alguns críticos o enxergam e, no meio disso, volta ao caso em que Ed Motta atacou Raul Seixas em público, lá em 2022.
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O episódio do Ed é conhecido e até meio famoso: na época, no início de 2022, ele fez declarações pesadas sobre Raul, o assunto circulou e virou notícia, e a repercussão cresceu justamente porque Raul é um nome que mobiliza fã-clube, memória afetiva e uma mitologia inteira em volta da figura. Foi nessa onda que o tema acabou ganhando "vida longa", rendendo desdobramentos e respostas.
Depois, veio a retratação. Em março, Ed Motta publicou um vídeo pedindo desculpas à família de Raul Seixas e também citou Sylvio Passos, do fã-clube oficial, dizendo que estava errado pela forma como falou e por ter "aberto o microfone" daquele jeito.
E, como costuma acontecer, entrou mais gente na conversa. Regis Tadeu, por exemplo, comentou a treta e criticou a mistura de ofensa pessoal com crítica musical, além de rebater a ideia de que "todas as letras" do Raul teriam sido escritas por Paulo Coelho, apontando o que chamou de desconhecimento e "elitismo esnobe".
É nesse pano de fundo que o corte com Guilherme Arantes e Clemente ganha contexto. O vídeo, publicado no canal CortesMPB, traz o texto: contextualizando, o Guilherme Arantes juntamente com Clemente Magalhães estavam falando da beleza, complexidade e da importância de harmonias bem trabalhadas nas músicas, coisa que o Arantes faz lindamente nos seus trabalhos. Nesse contexto, ele falou de alguns críticos, citando o Ed Motta e o Regis Tadeu. E fala também do caso de Ed Motta com Raul Seixas, e dá sua opinião. Esse PodCast com o Guilherme Arantes está disponível no Canal Corredor 5 (Youtube) de Clemente Magalhães.
O corte começa com Guilherme dizendo: "Eu vejo que os caras mais chatos de crítica - por exemplo, o Ed Motta: eu sou o máximo pro Ed Motta. O Regis Tadeu é um jornalista..." Clemente emenda: "Ele te ama!". "Nossa, os caras me adoram", complementa Guilherme enquanto ambos dão risadas. "Então eu acabei virando uma referência pra esses caras que são os mais chatos de todos, os mais exigentes".
Depois Guilherme prossegue: "O Ed é uma figura, ele fala cada coisa que é muito louco, o Ed, ele se desprotege, ele falando do Raul, aí ele se retratou também. Porque o Raul, realmente é pobre também assim, é tosco. Mas você não pode tirar o fascínio que tem por um personagem que fez tantas coisas incríveis". Depois de dizer que não é só a presença de Paulo Coelho, Guilherme comenta: "O Raul é uma coisa incrível, é muito legal".
Clemente faz um adendo dizendo que Raul é uma coisa mais bruta, e Guilherme complementa: "E tem coisas sofisticadas também". Depois ele conclui: "Então a verdade é que a gente ama música brasileira, a música popular é uma cachaça que quem ama não abandona mais. As novas gerações, o pessoal que está entrando, tem uma atração irresistível pela música, esse é o valor mais importante".
O comentário do Guilherme também passa por um recorte de formação. Ele sempre foi um músico mais ligado a estudo, harmonia, arranjo, repertório de MPB e uma escuta que tem muito de música "bem construída" no sentido clássico do termo. Raul, por outro lado, vem de outra matriz: rock'n'roll mais direto, linguagem de rua, personagem, atitude, aquela coisa que nasce do impacto de Elvis e de todo um imaginário popular que não precisa "soar sofisticado" para funcionar.
É por isso que ele consegue entender de onde vem a impaciência do Ed quando a conversa vira "refino" versus "tosco": Guilherme reconhece que, num recorte técnico, tem coisa em Raul que é simples e até bruta, como disse o Clemente. Só que, na mesma frase, ele deixa claro que isso não derruba o essencial - o fascínio do personagem e o tamanho do que Raul representou, com música e repertório que atravessaram gerações.
No corte, ele não compra a bronca como coro nem tenta colocar Raul num tribunal de "certo ou errado". Ele faz outra coisa: separa gosto, técnica e contexto, e lembra que a importância do Raul está justamente nessa soma: obra, personagem, impacto cultural e o jeito dele de fazer o Brasil cantar umas ideias que, se viessem "arrumadinhas" demais, talvez não pegassem do mesmo jeito.
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