A banda que tinha música, tinha talento... mas não tinha o "pacote" do Led Zeppelin
Por Bruce William
Postado em 11 de fevereiro de 2026
O Fleetwood Mac só virou aquele colosso pop mundial que a gente associa ao "Rumours" em 1977, depois de uma década inteira de trocas de formação, mudanças de rumo e perrengues. Só que, na cabeça do Mick Fleetwood, a banda já tinha material humano pra ter dominado a América bem antes, lá no fim dos anos 60, quando ainda era outro Fleetwood Mac, com Peter Green no comando.
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Ele volta e meia falou sobre isso como um "e se…". A cena britânica estava fervendo, eles já tinham casca de estrada, e conviviam de perto com gente que logo viraria nome grande. Só que, na corrida pelo público americano, outro grupo passou na frente e ocupou o espaço.
A fala fica mais espinhosa quando ele fala do lado "showbiz" do Zeppelin. "Acho que algumas das músicas do começo deles acabaram ficando ofuscadas pelo volume na calça." E emenda o que ele imaginava como alternativa: "A gente teria sido uma versão menos 'showbiz' do que eles representavam."
Na mesma lembrança, resgatada pela Far Out, Mick coloca Peter Green como peça central desse "e se". "Peter Green era tão talentoso quanto Jimmy Page." Ou seja: na cabeça dele, existia músico, existia banda e existia clima, faltou segurar o rumo quando a coisa começou a crescer.
A leitura dele sobre isso é meio amarga e meio pragmática: quando um artista tem força criativa, isso pode tanto impulsionar quanto consumir. Ele chega a mencionar uma entrevista do John Lennon como gancho pra falar de "poder criativo", e diz que o Green "deixou esse poder devorar" ele. Mas a vida acabou dando a volta por cima do jeito que dá nessas histórias de banda grande: o Fleetwood Mac vira outro bicho, com a chegada de Lindsey Buckingham e Stevie Nicks, e aí sim conquista a América de forma definitiva. Não foi com blues britânico e clima de pub, foi com outro repertório, outra dinâmica interna, outro tipo de narrativa pública.
No fim das contas, o que fica dessa lembrança é um retrato bem humano de alguém que viu a própria banda "quase chegar" num primeiro ato e só estourar de vez no segundo. E, no meio do caminho, ainda sobrou tempo pra Mick Fleetwood fazer uma comparação que, décadas depois, continua rendendo manchete, porque ninguém resiste a uma alfinetada envolvendo Led Zeppelin e... volumes nas calças.
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