O indiscutível maior mérito de Jimmy Page enquanto guitarrista, segundo Regis Tadeu
Por Gustavo Maiato
Postado em 31 de janeiro de 2026
Em uma live resgatada pelo canal Cortes Crimson, o crítico musical Regis Tadeu levantou uma discussão que costuma dividir fãs e músicos: afinal, Jimmy Page deve ser lembrado principalmente como guitarrista técnico, compositor ou engenheiro de estúdio? Para Regis, a resposta é clara e pouco convencional. "Para mim, o maior mérito, a maior influência do Jimmy Page como guitarrista foi ele como produtor de estúdio, como engenheiro de som", afirmou, destacando que a verdadeira genialidade de Page se revela muito mais na concepção sonora do que na execução ao vivo.

A fala abriu espaço para reflexões complementares. Fábio Christianini,, diretor de marketing do canal do Regis, observou que, ao ouvir os discos, Page parecia trazer "uma técnica diferente", mas que, ao vê-lo tocar, ficava evidente que sua força vinha mais da atitude e da inventividade do que do virtuosismo clássico. Já o produtor Paulo Baron reforçou que Page faz parte de um grupo de guitarristas que "romperam a bolha", trazendo experimentação, musicalidade e bom gosto. "Ele nunca foi o Hendrix, nem o Mahavishnu, nem o B.B. King, mas criou riffs incríveis. E, como produtor, teve tempo de lapidar e organizar essas ideias", disse, lembrando que Page sempre soube absorver referências diversas - algo típico de grandes produtores.
Na mesma conversa, o jornalista Sérgio Martins definiu Page como um músico completo. Segundo ele, além de guitarrista e compositor, Page foi um visionário que sonhou com uma banda mais pesada e uma nova sonoridade ainda nos tempos de Yardbirds, concretizando essa ideia no Led Zeppelin. Martins também destacou o diálogo da banda com a música indiana, celta, o rock progressivo, o funk e o reggae, ressaltando que essa abertura estética vinha, em grande parte, da cabeça de Page. "Os discos do Zeppelin são extremamente bem gravados, os solos são criativos, e essa visão ampla passa muito por ele", afirmou.
Regis Tadeu voltou ao centro do debate ao apontar dois aspectos técnicos decisivos. O primeiro foi a "total falta de pudor" de Page no uso de overdubs. "Ele gravava camadas e mais camadas de guitarra, às vezes tocando a mesma coisa, e isso criava uma parede sonora absurda", explicou. O segundo foi a concepção do som de bateria de John Bonham. Segundo Regis, o peso monumental do instrumento não era apenas mérito do baterista, mas resultado direto das escolhas de Page no estúdio - como a famosa gravação de "When the Levee Breaks", feita em uma escadaria para aproveitar a ambiência do espaço.
Para ilustrar o argumento, Regis citou uma gravação pouco conhecida de Bonham com os Wings, banda de Paul McCartney, em que o som da bateria é "magrinho, normal". "Ali cai a ficha: aquele som gigantesco do Bonham em disco e ao vivo era consequência direta da concepção de estúdio do Page", disse. Segundo ele, essa dimensão do trabalho de Jimmy Page fica ainda mais evidente no documentário Becoming Led Zeppelin, disponível na HBO Max, considerado por Regis "absolutamente essencial" para entender a formação e a estética da banda.
Ao final, mesmo reconhecendo que Page "errava muito ao vivo" e abusava do álcool, Regis foi categórico: "No estúdio… no estúdio era um absurdo total". Para o crítico, é ali, atrás da mesa de som e na construção minuciosa das gravações, que está o verdadeiro legado de Jimmy Page - não apenas como guitarrista, mas como um dos maiores arquitetos sonoros da história do rock.
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