O disco que Paul Stanley nunca quis fazer; "Eu não tive escolha"
Por Bruce William
Postado em 25 de março de 2026
Hoje pode parecer uma ideia curiosa ou até divertida lembrar que os quatro integrantes do Kiss lançaram discos solo no mesmo dia, em 1978. Só que, para Paul Stanley, aquilo esteve longe de ser um gesto espontâneo de liberdade criativa ou celebração de individualidades. Anos depois, ele deixou claro que embarcou na história mais por necessidade do que por vontade própria.
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Ao falar sobre seu primeiro álbum solo, Stanley resumiu a situação sem enfeite: "Eu não tive escolha. A ideia era apresentar uma unidade de grupo, o que é até curioso, porque os discos solo surgiram quando a banda estava à beira de se separar. No fim, aquilo foi colocar um Band-Aid numa ferida séria." A frase desmonta bem a imagem vendida na época, porque mostra que a tal "união" do Kiss escondia um grupo rachado por ego, cansaço e interesses cada vez mais diferentes.
Essa tensão já vinha de antes (via Ultimate Classic Rock). O Kiss havia virado uma máquina gigantesca de sucesso, mas o tamanho da banda também ampliou os atritos internos. Gene Simmons, Peter Criss, Ace Frehley e o próprio Stanley já começavam a mirar direções distintas, e o pacote dos álbuns solo acabou surgindo como uma forma de ganhar tempo sem assumir publicamente que o quarteto estava perto do colapso.
No caso de Paul, isso tinha um gosto ainda mais estranho porque ele sempre pareceu um sujeito profundamente identificado com a ideia de banda. Enquanto os outros mergulhavam cada vez mais em questões próprias, ele via o Kiss como a principal obra da sua vida (via Far Out). Por isso, quando precisou gravar um disco sozinho, a experiência não veio como libertação. Veio quase como sintoma de que algo importante já não funcionava como antes.
Os quatro discos solo saíram em 18 de setembro de 1978, cada um com capa padronizada e tentativa clara de vender a noção de que, apesar das diferenças, o Kiss seguia inteiro. Mas o remédio não curou a doença. No ano seguinte, Dynasty já mostraria uma banda menos coesa musicalmente, abrindo espaço para estilos e caminhos que deixavam essa divisão mais visível.
No fim, o álbum solo de Paul Stanley acabou entrando para a história não só como uma peça da discografia do Kiss, mas como retrato de um momento em que a banda tentava sorrir para a foto enquanto rachava por dentro. E talvez seja justamente por isso que a fala dele soa tão honesta tantos anos depois. Não era um sonho antigo, nem uma necessidade artística irresistível. Era só o curativo possível para uma ferida que já estava aberta.
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