O disco de estreia dos Ramones que soava como todo mundo e como ninguém ao mesmo tempo
Por Bruce William
Postado em 26 de abril de 2026
Em 1976, o rock vivia uma fase em que muita gente queria soar cada vez maior. Havia discos longos, técnica em evidência, arranjos cheios de camadas e uma certa ideia de grandiosidade dominando o período. Foi nesse cenário que os Ramones apareceram com um álbum de 29 minutos, 14 faixas e a impressão de que alguém tinha pegado o rock dos anos 60, jogado tudo no liquidificador e apertado o botão de velocidade máxima, relembra a Classic Rock.
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O primeiro disco da banda, lançado em 23 de abril daquele ano, não surgiu do nada. Os Ramones ouviam muita coisa anterior ao punk virar rótulo: girl groups, surf music, rock de garagem, canções bobas e diretas dos anos 60, além de nomes como MC5, Stooges e bandas que mais tarde seriam associadas à coletânea Nuggets. Só que, em vez de reproduzir essas referências de forma reverente, eles comprimiram tudo até sobrar quase só os ossos.
A formação já estava consolidada havia pouco menos de dois anos quando Joey, Johnny, Dee Dee e Tommy Ramone entraram em estúdio para gravar o álbum. Nenhum deles era exatamente tratado como virtuose, e isso acabou jogando a favor da banda. O som dependia de guitarra, baixo, bateria, voz e mais nada em excesso. A força vinha justamente da insistência em poucos acordes, da velocidade e daquele "1, 2, 3, 4!" cuspido por Dee Dee antes de várias músicas.
O resultado aparece logo de saída. "Blitzkrieg Bop", "Beat on the Brat" e "Judy Is a Punk" passam voando em pouco mais de seis minutos e já deixam claro o método: refrões curtos, melodia pegajosa, energia de porrada e nenhuma paciência para enrolação. O disco ainda incluía uma versão de "Let's Dance", sucesso de Chris Montez em 1962, mostrando que os Ramones nunca fizeram questão de esconder de onde vinham.
Outro ponto importante é que eles não cantavam como quem queria parecer perigoso só por pose. Havia humor, bobagem e exagero nas letras, claro, mas também existia um sentimento real de deslocamento. Os Ramones cantavam sobre não se encaixar porque, de certa forma, não se encaixavam mesmo. Isso deu ao disco uma identidade que ia além do barulho rápido e ajudou a transformar aquelas músicas em algo mais duradouro.
Comparado com muita coisa que saía em 1976, o álbum dos Ramones parecia barato, juvenil e direto demais. E era justamente isso que lhe dava força. Gravado por cerca de 6 mil dólares, ele soava pequeno perto dos gigantes do período, mas também parecia anunciar uma mudança de eixo. Enquanto outros grupos aumentavam a escala, os Ramones fizeram o contrário: cortaram gordura, simplificaram a estrutura e deixaram o impacto falar por si.
Nas paradas, o disco não virou um monstro de vendas. Chegou apenas ao 111º lugar, e os Ramones jamais seriam uma banda de números astronômicos. Mas a influência cresceu muito além desse desempenho inicial. O grupo passaria o resto da década repetindo e refinando a mesma fórmula em outros álbuns, até que o mundo finalmente entendesse que aquele primeiro disco, curto, seco e meio mal-encarado, tinha ajudado a empurrar o rock para outro lugar. Ele soava como muita coisa que já existia, mas, ao mesmo tempo, ninguém mais estava fazendo exatamente aquilo daquele jeito.
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