O maior guitarrista da história para Bruce Springsteen; "um gigante para todos os tempos"
Por Bruce William
Postado em 13 de maio de 2026
Quando se fala em "maior guitarrista do rock", a conversa quase sempre cai nos nomes mais espetaculares do instrumento. Jimi Hendrix, Jimmy Page, Eric Clapton, Jeff Beck, Eddie Van Halen e vários outros entram rapidamente na disputa, cada um com seus argumentos, suas revoluções e suas legiões de defensores. Bruce Springsteen, porém, olhava para essa pergunta por outro caminho. Para ele, a grandeza de Chuck Berry não estava em tocar mais notas, fazer solos mais longos ou impressionar pela técnica isolada.
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Berry foi importante porque ajudou a criar o vocabulário do rock and roll. Aqueles riffs de guitarra, a batida empurrando a música para a frente, as letras sobre carros, escola, dança, desejo juvenil e pequenos personagens americanos formaram uma espécie de cartilha para muita gente que veio depois. Antes de Springsteen transformar estradas, fábricas, carros e sonhos frustrados em matéria-prima para suas canções, Berry já tinha mostrado que o cotidiano também cabia dentro do rock, desde que tivesse ritmo, humor e uma frase boa.
Quando Berry morreu, em 2017, Springsteen resumiu sua admiração em uma frase forte, publicada na Rolling Stone: "Chuck Berry foi o maior praticante do rock, guitarrista, e o maior compositor puro de rock and roll que já existiu. Esta é uma perda tremenda de um gigante para todos os tempos." A palavra "guitarrista", ali, não deve ser lida como se Springsteen estivesse montando uma lista de velocidade ou dificuldade. Ele estava falando do sujeito que deu forma a uma linguagem inteira, a ponto de o rock parecer impensável sem aquela maneira de tocar.
Springsteen também teve a chance de sentir essa linguagem de perto, e não apenas como ouvinte. Em 1973, ainda no começo da estrada com a E Street Band, ele acompanhou Berry em um show na Universidade de Maryland. O episódio entrou para a mitologia porque Berry chegou praticamente sozinho, pouco antes da apresentação, carregando a guitarra. Springsteen contou que perguntou quais músicas eles tocariam. A resposta foi do tamanho do personagem: "Vamos tocar algumas músicas de Chuck Berry."
A frase parece piada, mas explica muito sobre Berry. Para ele, aquelas músicas eram um idioma que qualquer banda de rock deveria conhecer. O problema é que ele nem sempre facilitava a vida de quem estava no palco. Décadas depois, em 1995, Springsteen e a E Street Band voltaram a acompanhar Berry na abertura do Rock and Roll Hall of Fame, em Cleveland. Nils Lofgren relembrou que, durante a apresentação, Berry começou a mudar tom e andamento sem avisar, deixando a banda perdida diante de um estádio cheio.
Lofgren descreveu o desastre com uma sinceridade quase cômica: "No auge daquilo, quando ninguém tinha ideia de como consertar, Chuck olha para todos nós e começa a sair do palco fazendo o duck walk. Ele deixa o palco, deixa todos nós lá tocando em seis tonalidades diferentes, sem líder de banda, entra no carro e vai embora." Para qualquer outro músico, uma história dessas poderia virar ressentimento. Com Berry, acaba parecendo mais um capítulo absurdo de uma figura que nunca coube direito em regras de boa convivência musical.
Essa combinação de genialidade e imprevisibilidade faz parte do pacote, relembra a Far Out. Chuck Berry não foi um santo de biografia limpa, nem um músico fácil de lidar, nem um guitarrista que possa ser medido apenas por virtuosismo. Mas o que ele colocou no mundo virou estrutura básica para os outros trabalharem em cima. Os Beatles, os Rolling Stones, Bob Dylan, Keith Richards, Springsteen e uma fila enorme de artistas beberam nessa fonte, cada um levando para outro canto aquilo que Berry havia colocado em circulação.
No caso de Springsteen, a ligação é ainda mais visível porque ele também construiu boa parte de sua obra a partir de personagens comuns, movimento, desejo de fuga e histórias de gente tentando achar algum lugar no mundo. Só que Berry chegou antes, com menos solenidade e mais balanço. Por isso, quando Bruce o chamou de maior, não estava apenas fazendo reverência a um ídolo antigo. Estava reconhecendo o sujeito que ajudou a instalar a tomada onde muita gente depois plugou a guitarra.
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