A dura carta do Mägo de Oz ao México após política fazer homenagem a Hernán Cortés
Por Gustavo Maiato
Postado em 13 de maio de 2026
A banda espanhola Mägo de Oz publicou em suas redes sociais uma "desculpa pública ao povo mexicano" após a visita de Isabel Díaz Ayuso, presidente da Comunidade de Madri, ao México. A manifestação veio depois de a política conservadora participar de uma homenagem a Hernán Cortés, conquistador espanhol ligado à queda do Império Asteca no século 16.

O episódio causou reação no país e foi visto por setores da esquerda mexicana e por representantes indígenas como uma provocação em meio a uma tentativa recente de reaproximação diplomática entre México e Espanha. Segundo o jornal El País, Ayuso já havia defendido a conquista espanhola como um processo civilizatório, e não como genocídio, posição que irritou integrantes do governo mexicano.
No texto, o Mägo de Oz afirma que a voz de Ayuso "não é a nossa" e diz que não aceita o uso do território mexicano para fazer "apologia de figuras históricas que representam dor e conquista". A banda, conhecida por misturar folk metal, hard rock e temas históricos em suas letras, trata o México como uma "nação irmã" e lembra que o país acolheu espanhóis durante o exílio provocado pela Guerra Civil Espanhola e pelo franquismo. "Quando as portas do mundo se fechavam para nós, quando o fascismo nos expulsava da nossa própria casa, o México abriu os braços", diz o comunicado.
A nota também critica o uso político da história. Para o grupo, reivindicar Hernán Cortés hoje "não é um ato de rigor histórico, mas uma provocação desnecessária". O texto afirma ainda que o México não deve ser tratado como "cenário para a campanha política de alguém". A mensagem termina em tom enfático, com solidariedade aos mexicanos e a frase: "Viva o México, caralho".
A polêmica cresceu porque a homenagem a Cortés ocorreu em um momento sensível nas relações entre os dois países. O El País informa que a visita de Ayuso foi recebida com protestos de grupos indígenas e críticas do partido governista Morena, enquanto representantes da direita mexicana participaram do ato. A própria Catedral da Cidade do México cancelou uma cerimônia que estava prevista no contexto da homenagem, afirmando que a missa não deveria servir para exaltar personagens ou fatos históricos.
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