Ricardo Confessori compara Angra e Shaman: "A gente nunca tinha visto entrar dinheiro assim"
Por Gustavo Maiato
Postado em 13 de maio de 2026
Ricardo Confessori comentou, em entrevista ao Ibagenscast, como foi o período em que o Shaman alcançou grande popularidade no Brasil e passou a viver uma fase de alta demanda por shows. Ao responder se dava para se manter financeiramente com o Angra ou se era necessário depender de projetos extras, o baterista explicou que, no começo, a realidade era bem diferente.
Angra - Mais Novidades
"No Angra, no começo foi difícil. A grana entrava, mas saía muito rápido. Não dava tempo de a gente pôr a mão na grana às vezes", afirmou. Confessori contou que, durante muitos anos, complementou a renda dando aulas. "Sempre dei aula. Até uns 10 anos atrás, mais ou menos, eu dei aula. Aí eu parei."
A situação mudou com o Shaman. Segundo ele, a banda permitiu uma estabilidade muito maior. "Com Shaman dava para viver tranquilamente da banda. O dinheiro não ia para caminhos obscuros. Aí, tranquilo. Shaman dava para viver que nem rico quase." O baterista lembrou que a explosão de uma música em novela ajudou bastante: "Depois que a música estourou na novela, então, com certeza. Foram uns cinco anos vivendo bem, tocando bastante."
Confessori explicou que a agenda ficou tão intensa que o grupo praticamente não parava para compor. "A gente nem parava mais a tour para compor disco e ia compondo e fazendo show." Ele citou o álbum "Reason" como exemplo de um trabalho criado na estrada.
O baterista também falou sobre o momento em que o Shaman passou a trabalhar com uma agência maior, ligada a Valadão, irmão de Nasi, do Ira!. Segundo Confessori, isso levou a banda para lugares onde ela nunca imaginava tocar, incluindo festas de prefeitura e diferentes regiões de uma mesma cidade. "O cara botou a gente para tocar em lugares que a gente nem imaginava."
Com a agenda cheia, Confessori reconhece que a banda acabou ficando muito exposta no Brasil. "A banda ficou meio que over… O pessoal chegou uma hora e falou: 'Porra, o Shaman sai daqui, não sai do Brasil. Tanto show, tanto show'." Na conversa, ele concordou que aquele foi o período de maior reconhecimento de sua carreira. "Foi com certeza. Foi a época de maior reconhecimento. Foi no Shaman, não foi no Angra."
O músico classificou aquele momento como algo próximo do mainstream. "Era mainstream quase. Quase um mainstream, vamos dizer assim." Em seguida, corrigiu: "Era o mainstream. Do Brasil era." Confessori lembrou que o Shaman chegou a tocar em eventos ao lado de artistas de outros universos musicais, incluindo festivais com sertanejo e pop, como o Go Music, onde também se apresentava Sandy & Junior.
Para ele, esse cruzamento de públicos abriu portas, mas também levou a banda a lugares incomuns para um grupo vindo do metal. "Quando a gente quebrou essa barreira, fez o crossover para isso aí, começou a ter muito mais shows e muitos lugares muito esquisitos, que a gente nunca tinha pisado."
Questionado se foi um erro não aproveitar aquela fase para tocar mais fora do Brasil, Confessori foi direto: "Foi, foi um erro." O baterista reconheceu que, pensando na longevidade da carreira, seria melhor ter desenvolvido mercados diferentes, alternando períodos no Brasil e no exterior.
Foi nesse ponto que ele usou a frase mais forte da entrevista. "Mas cara, aqui era onde a grana entrava. A gente meio que ficou um pouco mercenário, vamos falar a verdade." Confessori explicou que a banda nunca tinha visto entrar tanto dinheiro daquela forma e que era difícil abrir mão de uma situação segura no Brasil para tentar conquistar um mercado estrangeiro sem garantia de retorno.
Na comparação com o Angra, ele disse que a antiga banda estava mais voltada ao exterior naquele momento. Por isso, o Shaman teria seguido uma lógica diferente: se o Angra já estava disputando espaço fora, o Shaman poderia concentrar forças onde estava em vantagem. "Já que eles já estão lá, vamos brigar aqui, que a gente está na frente. Esse é o raciocínio."
Confira a entrevista completa abaixo.
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



Bruce Dickinson promete novo álbum "em um patamar bem acima de 'Mandrake Project'"
A música de 1983 que resumiu tudo de errado no rock americano, segundo Lemmy
58 shows internacionais de rock e metal no Brasil até o final de outubro
Aquiles Priester diz que Cronos, do Venom, "mudou o jogo"
Causa da morte de Phil Campbell, guitarrista do Motörhead, é revelada
Metallica inicia temporada de shows em Las Vegas e volta a tocar "...And Justice for All"
A banda que recusou Rock in Rio 1985: "Pessoas decidiram que não era boa ideia"
Fabio Lione debocha de fala de Felipe Andreoli: "Inventaram hiato para eu sair do Angra?"
O guitarrista apontado como melhor do mundo que Alex Lifeson não curte: "Não me tocava"
Os bastidores da saída de Fabio Lione do Angra, segundo Marcelo Barbosa
As 5 melhores músicas do Metallica que foram gravadas por Cliff Burton, segundo a Revolver
A opinião de Bruce Dickinson sobre o Cannibal Corpse em 1994
O curioso tema do TCC de Fernanda Lira que professora reprovou e a fez largar a faculdade
Cronos, vocalista e baixista do Venom, morre aos 63 anos
Slash anuncia álbum solo "Flying Blind" e confirma quatro shows no Brasil
A condição de Ricardo Confessori pra aceitar convite de Luis Mariutti: "Se for assim, eu faria"
Ricardo Confessori quebra senso comum e diz que clima no Angra no "Fireworks" era bom
A opinião de Marcelo Barbosa sobre o Angra que chocou Andre Matos: "No Brasil, só você"
Por que hiato do Angra não foi pretexto para tirar Fabio Lione, segundo Felipe Andreoli
Os 4 pilares do Angra que IA precisaria entender pra compor igual, segundo Marcelo Barbosa
A lenda nordestina que é o Van Halen brasileiro, segundo Rafael Bittencourt
São Paulo recebe imersão na história do Angra com celebração a "Holy Land" e "Rebirth"
Kiko Loureiro respeita muito Tony Iommi, mas acha que guitarrista do Black Sabbath é "quadrado"
De Black Sabbath a Elis Regina, os 10 discos que mudaram a vida de Kiko Loureiro
Dream Theater e o disco que Felipe Andreoli nem conseguiu ouvir


