O artefato antigo que voltou à moda, enfrenta a IA e convenceu Andreas a lançar um disco
Por Bruce William
Postado em 18 de abril de 2026
O Sepultura está preparando um registro ao vivo de sua turnê final, mas Andreas Kisser deixou claro que a ideia não é apenas jogar um monte de gravações nas plataformas digitais e seguir adiante. Em entrevista a Jaimunji, do Metal On Tap, o guitarrista falou sobre o projeto que reúne gravações feitas desde a entrada do baterista Greyson Nekrutman, no começo de 2024, e que deve funcionar como uma grande compilação da despedida da banda dos palcos.
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A proposta anunciada anteriormente pelo grupo era ambiciosa: registrar 40 músicas em 40 cidades diferentes, escolhendo alguns dos momentos mais intensos da turnê. Segundo Andreas, o material ainda está sendo feito, já que o Sepultura segue tocando e gravando shows. Ele também citou o novo EP da banda, cujas músicas já entraram no repertório ao vivo.
Apesar disso, o lançamento não deve sair imediatamente. Andreas explicou que a banda quer primeiro encerrar bem essa etapa, aproveitar os shows e depois organizar o material com calma. Para ele, o projeto precisa ter um cuidado especial, especialmente por marcar uma fase tão importante na história do Sepultura.
E é aí que entra um elemento que parecia coisa do passado, mas voltou com força: o vinil. Andreas disse que a banda quer fazer algo com clima de disco ao vivo antigo, citando como referência o tipo de experiência de "Alive II", do Kiss, com fotos, embalagem caprichada e uma sensação mais física em torno da música.
"Gostamos de levar nosso tempo também para fazer algo realmente especial, como vinil, como aquela vibe old-school do Alive II, do Kiss, com as fotos e essas coisas. Muito orgânico e indo na direção oposta de mostrar tudo na internet", afirmou o guitarrista.
Andreas também lembrou como os discos ao vivo ajudaram a formar seu imaginário quando ainda vivia no Brasil, em uma época em que shows internacionais eram raros por aqui. Ele citou álbuns de Motörhead, Iron Maiden e Kiss como exemplos de registros que faziam o ouvinte se transportar para dentro de um show apenas pelo som, pelas fotos e pela própria imaginação.
"Eu lembro de ouvir discos ao vivo como os do Motörhead, do Iron Maiden ou do Kiss e ficar imaginando, com os fones de ouvido, que estava no show. Nem imaginava estar no palco, mas apenas estar lá, porque no Brasil não tínhamos shows e concertos. A imaginação é uma ferramenta muito poderosa para criar atmosferas e para alimentar e perseguir seus sonhos", disse Andreas.
Para ele, esse tipo de relação com a música ainda faz sentido justamente em uma época dominada por internet, excesso de exposição e inteligência artificial. O guitarrista destacou que o vinil, que durante um bom tempo parecia enterrado como relíquia de outro tempo, voltou com força e passou a representar algo mais concreto, tátil e humano.
"Eu estava apenas imaginando, e aquilo me levou a estar onde estou hoje. Então acho que gostaríamos de tentar trazer um pouco dessa vibe de volta, já que o vinil voltou com força total. Quem diria? O vinil estava morto, completamente, essa coisa do passado, e agora voltou com força total em tempos de inteligência artificial. Então isso é uma esperança. É algo orgânico e humano, mais conectado a algo real", completou.
O álbum ao vivo do Sepultura ainda não tem data fechada, mas Andreas indicou que o projeto deve ficar para o próximo ano. Pelo que ele explicou, a intenção não é apenas documentar a turnê final, e sim transformar esse material em um objeto com cheiro de era analógica, daqueles que pedem encarte, foto grande e um pouco de imaginação. Para uma banda que passou a carreira inteira fazendo barulho no mundo físico, faz todo o sentido que a despedida não caiba apenas em um link.
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