Como Paul McCartney fez Ringo Starr mudar ideia sobre os quatros novos filmes dos Beatles
Por Gustavo Maiato
Postado em 08 de maio de 2026
Ringo Starr comentou os filmes sobre os Beatles que serão dirigidos por Sam Mendes e disse que o público não deve esperar uma reprodução documental da história da banda. Em entrevista à Uncut, o baterista afirmou que as produções terão elementos reais, mas também liberdade dramática. "Vai ter alguma realidade ali", disse. "É um filme, não um documentário."

O projeto de Mendes prevê quatro filmes, cada um contado a partir do ponto de vista de um integrante dos Beatles. Ringo será interpretado por Barry Keoghan. O músico brincou ao falar sobre o encontro com o ator. "Barry veio morar comigo por um ano, para pegar meus trejeitos... Não, estou só zoando vocês!", disse. Em seguida, explicou que o encontro foi bem mais simples: "Ele veio uma tarde, por duas horas, e nós dissemos olá."
Ringo também visitou o set em Londres e disse que chegou em um momento curioso das filmagens. "Demos sorte, porque o outro John e o outro Paul estavam discutindo. O quê? Que ótimo!", contou. A fala mostra que os filmes devem explorar conflitos internos da banda, tema que já apareceu em várias obras sobre o grupo.
O baterista afirmou que conversou bastante com Sam Mendes sobre o roteiro. Segundo ele, o diretor enviou uma primeira versão, e os dois passaram dois dias discutindo o texto em Londres. "Havia muita coisa que eu, pessoalmente, não queria no filme. 'OK, vamos tirar isso', disseram", relatou.
Mesmo assim, Ringo reconhece que a narrativa não ficará presa a uma cronologia rígida. Ele disse que, no começo, teve dificuldade para aceitar essa liberdade. "Nas primeiras semanas, eu fiquei preso no modo documentário. 'Bem, isso não aconteceu naquela época, e ele não estava lá...'"
A mudança de postura veio depois de conversar com Paul McCartney. Segundo Ringo, os dois chegaram à mesma conclusão: era preciso deixar Mendes trabalhar. "No fim, conversando com Paul, nós dois ficamos tipo: 'O que é isso? OK, é um filme. Não é um documentário. Vamos relaxar com isso.'"
Ringo disse ainda que confia no diretor, mesmo sem saber exatamente como tudo será amarrado. "Estamos todos nas histórias uns dos outros. Pensei: 'Não sei como ele vai fazer isso, deixa ele seguir em frente.' Nós confiamos nele."
Para o baterista, a diferença em relação aos filmes antigos dos Beatles está justamente na tentativa de mostrar algo mais próximo da complexidade real da banda. Ele citou as obras dirigidas por Richard Lester, como "A Hard Day's Night" e "Help!", com carinho, mas lembrou que nelas os Beatles apareciam mais como "os garotos".
A declaração de Ringo ajuda a ajustar as expectativas. Os filmes de Sam Mendes não devem funcionar como uma aula definitiva sobre os Beatles, mas como uma dramatização baseada em fatos, memórias e versões individuais. O próprio Ringo parece disposto a se surpreender com o resultado. "Vou ficar tão surpreso quanto qualquer um de vocês", afirmou.
Os novos filmes dos Beatles
O projeto de Sam Mendes sobre os Beatles pretende contar a história da banda em quatro cinebiografias interligadas, cada uma sob o ponto de vista de um integrante. A ideia é que John Lennon, Paul McCartney, George Harrison e Ringo Starr tenham filmes próprios, mas conectados entre si. Mendes, vencedor do Oscar por "Beleza Americana", será o diretor da empreitada, que tem apoio de Paul, Ringo e das famílias de Lennon e Harrison, além dos direitos musicais liberados para uso nos longas.
A ambição também ajuda a explicar a cautela de Ringo ao falar sobre o roteiro. Como os filmes não serão documentários, mas dramatizações, a produção terá liberdade para condensar situações, reorganizar conflitos e transformar memórias em cenas de cinema. Segundo material divulgado anteriormente, a proposta da produtora Pippa Harris é criar uma "experiência cinematográfica única", com quatro perspectivas diferentes sobre "a banda mais celebrada de todos os tempos".
O cronograma, porém, ainda parece longo. Embora a previsão inicial apontasse para 2027, Mendes disse no podcast Stagecraft, da Variety (via Igor Miranda), que deve trabalhar no projeto até meados de 2028. Por isso, ainda não há uma data clara para a chegada dos filmes ao público. O elenco também vinha sendo tratado com cautela: nomes como Paul Mescal, Harris Dickinson, Barry Keoghan e Charlie Rowe foram citados pela imprensa especializada, mas as informações apareciam como rumores no material de referência.
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