O guitarrista que Eddie Van Halen achava ser melhor do que ele, e isto se revelou um problema
Por Bruce William
Postado em 08 de maio de 2026
Quando se fala em guitarristas que mudaram o jogo, o nome de Eddie Van Halen aparece inevitavelmente. O sujeito não apenas virou referência técnica como também alterou a forma de muita gente pensar a guitarra de rock a partir do fim dos anos 70. Só que o próprio Eddie nunca pareceu totalmente confortável com esse lugar de semideus intocável. Pelo contrário: volta e meia falava de outros músicos com admiração real, inclusive quando achava que alguém fazia certas coisas melhor do que ele.
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Um desses nomes era Steve Vai. E não é difícil entender por quê. Vai surgiu como um guitarrista de técnica impressionante, vindo do universo de Frank Zappa, mas sem ficar preso apenas à ideia de virtuosismo frio ou exibicionista. Havia estranheza, sim, e muita precisão, mas também um esforço claro para transformar aquilo em linhas memoráveis, quase cantáveis. Mesmo quando parecia estar fazendo coisas absurdas no braço da guitarra, ele ainda mantinha um tipo de melodia que não afastava o ouvinte.
A relação entre Vai e Eddie ficou ainda mais curiosa porque os dois acabaram orbitando o mesmo universo ligado a David Lee Roth. E, em algum momento, Eddie falou sobre isso de forma bem aberta. Ao comentar o jeito de Steve Vai tocar, soltou uma frase reveladora, resgatada pela Far Out: "Eu ficava pensando: 'esse cara é melhor no que eu faço do que eu mesmo', sabe?"
Só que Eddie não parou aí. Logo em seguida, fez a ressalva que, para ele, mudava o centro da conversa: "Mas faltava a vibe… o feeling. Ele era tecnicamente MUITO proficiente, mas duro. Isso sempre me fazia me sentir mal de certo modo. Porque me fazia pensar: 'Uau, será que é assim que as pessoas me veem?'" É uma observação dura e ao mesmo tempo divertida, porque mostra que Eddie admirava a capacidade de Vai ao mesmo tempo em que tentava separar precisão técnica de musicalidade mais orgânica.
Essa distinção ajuda a entender bem a cabeça dele. Eddie nunca foi só o cara do tapping ou da acrobacia de braço. O que fazia sua guitarra soar diferente era também a fluidez, a sensação de que as frases corriam com naturalidade, quase sem atrito. Dá para ouvir isso em coisas como "Little Guitars" ou "Spanish Fly", momentos em que a técnica está toda ali, mas sempre a serviço de um toque muito pessoal. Não é só "olha o que eu consigo fazer". É "olha como isso soa quando passa pela minha mão".
No caso de Steve Vai, o caminho era outro. Ele levava a guitarra para um tipo de controle mais cerebral em certos momentos, mais calculado, embora nunca totalmente sem imaginação. Isso não o tornava pior. Tornava diferente. E talvez seja justamente por isso que o comentário de Eddie tenha tanto valor. Ele não estava apenas elogiando um colega. Estava reconhecendo que existia ali um nível de execução capaz de mexer até com sua própria insegurança.
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