O riff que melhor define Tony Iommi, e quem mostrou o caminho foi ninguém menos que Ozzy Osbourne
Por Bruce William
Postado em 13 de abril de 2026
Falar em Tony Iommi é falar em riff. Não só porque ele criou alguns dos mais reconhecíveis da história do rock pesado, mas porque parecia ter uma capacidade quase irritante de achar mais um, e depois outro, e depois outro melhor ainda. Ozzy Osbourne tentou resumir isso numa entrevista de 2006 à Rolling Stone, quando comentou: "Tony Iommi - e eu já disse isso um zilhão de vezes - deveria estar lá em cima com os grandes. Ele pode pegar uma guitarra, tocar um riff, e você pensa: 'Pronto, agora acabou, ele não pode superar isso.' Aí você volta, e eu aposto um bilhão de dólares que ele vai aparecer com um riff que vai arrancar a porra das suas meias."
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A lembrança veio dentro de um contexto curioso. Ozzy dizia que o Black Sabbath não costumava escrever de forma muito engessada no começo. As músicas podiam passar por introduções longas, entrar em trechos mais soltos, às vezes quase jazzísticos, depois seguir por outro caminho, e ainda assim funcionar. Isso ajuda a entender por que o toque de Iommi sempre soou maior do que a simples ideia de "guitarrista de riffs pesados". O peso estava ali, claro, mas também havia senso de espaço, mudança de clima e um jeito muito próprio de conduzir a música sem parecer preso a fórmula.
É por isso que a escolha de "War Pigs" faz sentido como síntese possível do Iommi, reflete a Far Out. Não porque seja a única resposta aceitável, mas porque a faixa concentra muita coisa ao mesmo tempo. O riff principal já entra com aquele passo arrastado e ameaçador que virou marca do Sabbath, mas a música não fica só nisso. Ela cresce, muda de temperatura, abre espaço para passagens mais livres e mostra uma banda que, mesmo soando pesadíssima, ainda pensava em dinâmica, tensão e construção. Não era só porrada. Era arquitetura de porrada.
Também pesa o fato de "War Pigs" abrir "Paranoid" como se o grupo estivesse dizendo, logo de cara, que o segundo disco não seria simples repetição do primeiro. Se o álbum de estreia já tinha deixado claro que havia algo novo acontecendo, aquela entrada em "Paranoid" mostrava uma banda ainda mais afiada. Iommi aparece ali como o sujeito que consegue ser brutal e elegante ao mesmo tempo, com riffs que esmagam sem parecer brutos demais para a própria música.
A própria história do Sabbath ajuda nessa leitura. O grupo vinha de um método em que muita coisa nascia em sala de ensaio, no palco, na troca entre os músicos. Bill Ward lembraria mais tarde que "War Pigs" cresceu em apresentações ao vivo, com seções mais longas e mais abertas, em parte porque a banda precisava preencher tempo de show. Isso ajuda a explicar por que a faixa mantém um certo ar de movimento constante, mesmo sendo tão bem resolvida no estúdio. Há nela algo de composição e algo de improviso domesticado, o que combina muito com o que Ozzy descrevia sobre a banda.
E talvez seja isso que faça de "War Pigs" uma escolha tão forte quando se quer resumir Tony Iommi. O riff é enorme, a atmosfera é imediata, a construção é rica e o impacto continua intacto. Dá para escolher outros momentos, claro, porque o catálogo dele está cheio de absurdos. Mas, se a ideia é mostrar por que Ozzy falava daquele sujeito com reverência quase assustada, "War Pigs" resolve bem a questão. Você ouve e entende. Depois do primeiro impacto, não sobra muita dúvida sobre de onde veio tanta coisa que o metal faria depois.
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