Quando Renato Russo preferiu ficar em casa com o namorado a gravar com os Paralamas
Por Gustavo Maiato
Postado em 10 de abril de 2026
A ex-profissional de promoção e marketing Tina Valente relembrou, em entrevista ao canal Corredor 5, episódios marcantes de sua convivência com Renato Russo na época em que o rock nacional vivia seu auge nas gravadoras. No relato, ela descreve um artista brilhante, carismático e muito querido dentro da companhia, mas que, com o passar do tempo, se tornou cada vez mais difícil de lidar.
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O assunto surgiu quando Tina e Clê falavam sobre o tempo em que artistas frequentavam gravadoras como se aquilo fosse uma extensão da própria casa. Segundo ela, houve um momento em que isso começou a mudar, mas antes disso alguns nomes circulavam por ali com total liberdade.
Foi nesse contexto que ela puxou uma lembrança de Renato Russo. "Teve uma época que o Renato ficou bravo com alguma coisa que aconteceu, que eu não me lembro o que era, e ele pichou todos os andares da gravadora", contou.
A cena surpreende pelo grau de intimidade que o cantor tinha com o ambiente. Ao ser perguntada como ele havia conseguido entrar, Tina respondeu de forma direta: "Ele entrava porque mandava e desmandava naquela gravadora. Todo mundo gostava dele".
Renato Russo e os Paralamas do Sucesso
Segundo ela, Renato chegava, falava com o porteiro e simplesmente subia. "Era o Renato Russo", resumiu. Na lembrança da entrevistada, o episódio teve clima de rebeldia e veio de um acesso de raiva, embora ela não tenha conseguido recordar exatamente o motivo da irritação.
Mesmo assim, Tina fez questão de equilibrar a imagem. Disse que também guarda boas recordações do vocalista da Legião Urbana, sobretudo da fase inicial, quando ele ainda era mais acessível e parecia circular com menos peso ao redor do próprio nome.
"Eu tinha uma relação legal com ele, porque vi ele no início também, indo lá com a calça cheia de alfinete", contou. Na sequência, definiu o cantor com admiração: "Ele sempre foi um cara inteligente, sempre foi um gênio".
Ao mesmo tempo, ela observa que houve uma mudança clara de comportamento ao longo dos anos. "Chegou uma hora que ele começou a ficar impossível", afirmou. Segundo Tina, Renato passou a não querer mais fazer certas coisas e a oferecer resistência a compromissos profissionais que antes seriam normais na rotina de uma grande banda.
Ela então contou um episódio que, para ela, resume bem essa fase. Segundo Tina, o jornalista e produtor Jorge Davidson ligou pedindo ajuda para convencer Renato a sair de casa e ir a uma gravação na Globo. Tratava-se de um especial que reuniria Paralamas do Sucesso e Legião Urbana. "O Jorge Davidson me ligou e disse: 'Tina, tem que ir lá na casa da avó do Renato porque ele não quer ir na gravação'", relatou.
A história ganha tom quase cinematográfico quando ela descreve a visita. Tina foi até o local acompanhada de Daniel, bateu na porta e ficou esperando. "Ele deixou a gente na porta esperando", contou. Depois de conseguir entrar, ela tentou convencê-lo pessoalmente. "Falei: 'Renato, você tem que ir, meu filho, pelo amor de Deus'", lembrou.
Segundo Tina, ele não queria sair de jeito nenhum. A razão, naquele momento, não era musical nem profissional. Renato estava mergulhado em uma paixão e preferia permanecer isolado. "Ele estava com um namoradinho de quem estava apaixonado e só queria ficar lá na caverna dele", resumiu.
Mesmo assim, ela insistiu. E funcionou. Quando Clê perguntou diretamente se ela havia conseguido levá-lo, Tina respondeu sem hesitar: "Levei. Consegui". Tina também tocou, ainda que de forma breve e emotiva, na fase final da vida do cantor. Ao lembrar daqueles anos, falou da tristeza que sentiu com a morte dele e com o isolamento de seus últimos tempos. "Foi muito triste", disse.
Confira a entrevista abaixo.
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